Os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos abriram a sessão desta terça-feira em alta, revertendo parte das perdas acentuadas registradas desde a última sexta-feira. O movimento ocorre em um ambiente de correção de mercado, motivado pela surpresa negativa dos últimos dados econômicos americanos.
Investidores agora voltam suas atenções para os próximos indicadores, especialmente do setor de serviços, que podem oferecer novos sinais sobre a saúde da economia dos EUA, após o recuo inesperado em números recentes.
O que você vai ler neste artigo:
Rendimento dos Treasuries em movimento corretivo
Na abertura do mercado, os yields dos principais títulos do Tesouro norte-americano avançaram, em reflexo a uma leitura mais cautelosa por parte dos agentes financeiros após os dados fracos do mercado de trabalho na sexta-feira anterior. A T-note de dois anos subiu de 3,685% para 3,716%, enquanto a T-note de dez anos foi de 4,197% para 4,222%. Já o retorno do T-bond de 30 anos passou de 4,796% para 4,813%.
Esses movimentos refletem uma reavaliação das expectativas em relação à trajetória dos juros nos EUA. Até a semana passada, havia um sentimento mais forte de que o Federal Reserve poderia cortar os juros em breve, mas oscilando com novos dados, o mercado passa a agir com mais prudência.
O desempenho dos Treasuries também se entrelaça com a cautela em relação ao próximo dado do ISM de serviços. Uma nova leitura fraca — assim como ocorreu com o ISM industrial — pode consolidar a percepção de desaceleração econômica.
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UBS aposta em queda de juros nos EUA
Em relatório recente, estrategistas do UBS explicaram sua decisão de aumentar a exposição em títulos do Tesouro de dez anos. A posição contrasta com a atuação no mercado europeu, com o banco tomando posição vendida em Bunds da Alemanha, em uma operação de arbitragem entre as curvas americana e europeia.
Essa operação teve início com o chamado spread entre os títulos em 1,57 ponto percentual. A expectativa do UBS é de que esse diferencial recue para 1,35 ponto, na medida em que os EUA caminham para um ritmo de crescimento mais contido, enquanto a zona do euro mantém estabilidade relativa nas taxas.
Segundo o banco suíço, a diferença no desempenho econômico entre os dois blocos deve diminuir nos próximos meses. Esse contexto reforça a tese de valorização dos Treasuries, ao mesmo tempo em que limita as chances de um corte de juros pelo Banco Central Europeu em setembro.
Espera por novos sinais na economia
Com os dados do payroll mais fracos e o recuo do ISM industrial em julho, o mercado tenta confirmar se tais indicadores refletem uma tendência mais sustentada de desaceleração. Agora, todos os olhos se voltam para os números do setor de serviços, cujo peso na economia americana é expressivo.
Caso esse novo dado também venha abaixo do esperado, poderá consolidar a narrativa de abrandamento na atividade. Esse cenário fortaleceria a percepção de que o Federal Reserve poderá, eventualmente, flexibilizar a política monetária nos próximos trimestres.
Por enquanto, as apostas seguem divididas. Alguns operadores já antecipam cortes de juros na virada do ano, enquanto outros aguardam os próximos eventos e declarações de membros do Fed para ajustar suas projeções.
Impactos no mercado global
A movimentação dos títulos americanos também respinga sobre os mercados globais, especialmente por seu papel como referência para as demais curvas de juros. A elevação dos rendimentos nesta terça-feira sugere um reposicionamento de portfólios globais, com ajustes táticos e atenção redobrada aos riscos de desaceleração.
Além disso, a dinâmica entre juros americanos e alemães será monitorada de perto. A postura mais rígida do BCE, aliada ao eventual abrandamento das taxas nos EUA, pode reduzir as diferenças de fluxo entre as regiões, com potenciais efeitos no câmbio, em ativos emergentes e na precificação de dívida soberana.
Mesmo em meio às oscilações diárias, o pano de fundo atual é de extrema sensibilidade a dados e eventos. Cada nova peça que se soma ao quebra-cabeça da política monetária internacional mexe intensamente com expectativas e preços de ativos.
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