A manhã desta terça-feira é marcada por forte volatilidade nos mercados, com investidores reagindo a fatores políticos e econômicos relevantes. A decisão do ministro Alexandre de Moraes que colocou o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar impactou diretamente os ativos brasileiros.
Além da questão política, atenção redobrada se volta à ata do Copom e aos dados de atividade econômica nos EUA, que são fundamentais para definir expectativas sobre os próximos passos de política monetária interna e externa.
O que você vai ler neste artigo:
Reação dos mercados à prisão domiciliar de Bolsonaro
A medida determinada pelo STF gerou repercussões imediatas no cenário financeiro, sobretudo entre investidores estrangeiros. No after hours de segunda-feira, o EWZ – principal fundo de índice que representa ações brasileiras em Nova York – recuou 0,97%. Na manhã desta terça, a queda seguia, em 0,58%, refletindo o aumento do risco político e institucional no Brasil.
Há preocupação entre analistas sobre o impacto da prisão domiciliar nas relações diplomáticas com os Estados Unidos. A reação do Departamento de Estado norte-americano, que atacou abertamente o ministro Alexandre de Moraes, adicionou incerteza sobre o rumo das negociações comerciais entre os dois países. Segundo o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Moraes estaria “ameaçando a democracia” no Brasil — retórica que pode ter consequências para o ambiente de negócios.
Com expectativas de interferência nos acordos tarifários e possível interrupção no fluxo de investimentos, os mercados locais operam sob pressão, especialmente a Bolsa e o câmbio. O temor de uma escalada institucional pode se refletir nos preços dos ativos nas próximas sessões.
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Implicações políticas e o “trade eleitoral”
Um dos fatores de preocupação do mercado diz respeito ao impacto dessa decisão judicial sobre o cenário das eleições de 2026. A prisão domiciliar de Bolsonaro pode enfraquecer candidaturas de direita, obrigando reestruturações internas nos partidos do campo conservador.
Parte dos investidores vinha apostando no chamado “trade eleitoral” – uma estratégia baseada na expectativa de mudança política que influenciaria a condução da economia de forma mais liberal nos próximos anos. Com a movimentação do STF e a crescente judicialização da política, aumentam os riscos e a imprevisibilidade no cenário pré-eleitoral, o que pode adiar ou moderar tais apostas.
Embora ainda não haja consenso entre analistas sobre os efeitos diretos da prisão de Bolsonaro nas urnas, o aumento das incertezas institucionais mexe com o apetite ao risco, sobretudo para investidores de perfil mais conservador.
Ata do Copom reforça tom conservador
No campo da política monetária, o Banco Central reforçou nesta manhã o tom de cautela já sinalizado em seu último comunicado. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) mostrou que os diretores veem necessidade de paciência e vigilância no combate à inflação, especialmente em meio às pressões fiscais do governo federal.
O documento reiterou que os juros devem permanecer em patamar elevado por mais tempo diante das incertezas do cenário global e dos impactos internos da desancoragem fiscal. Mesmo sem trazer mudanças significativas, a linguagem adotada foi interpretada como mais rígida do que o mercado esperava.
Tal postura conservadora tende a conter apostas em cortes adicionais da Selic no curto prazo, o que afeta diretamente setores sensíveis à taxa básica de juros, como varejo e construção civil. A resposta dos investidores nestes setores vai depender da evolução do risco fiscal e político no país.
Indicadores nos EUA e reprecificação global
No exterior, os dados de atividade econômica dos Estados Unidos seguem no radar. Os índices PMI de serviços e compostos voltaram a surpreender positivamente, o que elevou os rendimentos dos Treasuries em movimentos de correção após uma queda significativa observada desde o payroll da última sexta-feira.
A expectativa de manutenção de juros elevados nos EUA por mais tempo provocou reprecificação nos ativos globais. Investidores estão ajustando posições defensivas, enquanto monitoram cada sinal de desaceleração ou persistência da inflação na maior economia do mundo.
Enquanto isso, as principais bolsas europeias e os futuros de Wall Street seguem em alta. O índice Stoxx 600 da Europa subia 0,41% e os futuros do Nasdaq e do S&P 500 operavam com ganhos de 0,39% e 0,25%, respectivamente. O desempenho contrasta com o ambiente de cautela no Brasil, ampliando o gap entre os desempenhos dos mercados emergentes e os investidores globais.
Perspectivas e cenário de curto prazo
Para os próximos dias, os agentes financeiros devem continuar atentos a novos desdobramentos políticos no Brasil, principalmente sobre eventuais reações institucionais, manifestações públicas e declarações de autoridades estrangeiras em resposta à decisão contra Bolsonaro.
Além disso, o avanço das relações comerciais com os EUA permanece em pauta. Qualquer medida adicional de retaliação ou endurecimento pode afetar diretamente setores-chave da economia brasileira, como agronegócio e indústria.
Em meio ao ambiente carregado de incertezas, a recomendação geral entre analistas é de cautela reforçadana tomada de risco. A combinação de instabilidade política interna com movimento de juros em alta nos EUA exige prudência para navegação nos mercados neste início de agosto.
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