China Evergrande deixa a Bolsa de Hong Kong após falência

A incorporadora chinesa Evergrande, envolvida em uma das maiores crises do setor imobiliário global, está prestes a ser retirada da Bolsa de Valores de Hong Kong. A decisão foi anunciada após a empresa não cumprir requisitos regulatórios estabelecidos pela bolsa local.

O processo de exclusão marca mais um capítulo dramático na derrocada da gigante imobiliária, que acumulava mais de US$ 300 bilhões em dívidas. Esse movimento reforça a instabilidade do setor na China e levanta preocupações entre investidores internacionais.

Situação atual da Evergrande

Após anos de crescimento acelerado, impulsionado por um modelo de endividamento insustentável, a Evergrande entrou em colapso financeiro em 2021. Desde então, enfrentou diversos processos judiciais, paralisações em obras e afastamento de sua liderança. A falência formal da empresa foi decretada no início de 2024 em um tribunal de Hong Kong.

A Bolsa de Valores de Hong Kong exigiu que a empresa apresentasse demonstrações financeiras regulares e adotasse medidas para garantir a continuidade de suas operações. O não cumprimento dessas condições resultou em sua iminente remoção da listagem pública.

A China Evergrande informou que seus esforços de reestruturação não surtiram o efeito esperado. Tentativas de levantar capital por meio da venda de ativos foram frustradas, assim como negociações com credores internacionais. A suspensão de suas ações já vinha desde março de 2022.

A remoção oficial da empresa do mercado acionário de Hong Kong está prevista para ocorrer no dia 19 de setembro de 2024, de acordo com comunicado da própria bolsa. A Evergrande ainda pode recorrer, mas especialistas consideram improvável uma reversão.

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Impactos no mercado financeiro

A queda da Evergrande representa o colapso de um modelo econômico baseado na especulação imobiliária e no elevado endividamento corporativo. A bolha criada pela expansão descontrolada de empresas como a Evergrande se mostrou insustentável diante do aperto regulatório promovido por Pequim.

Com o anúncio da deslistagem, o mercado acionário asiático reagiu com cautela. Setores relacionados à construção civil na China apresentaram recuo, enquanto a confiança de investidores internacionais no mercado chinês voltou a ser abalada.

Entre os principais efeitos estão:

  • Aumento do risco percebido em ativos chineses.
  • Pressão negativa sobre os preços das commodities, como o minério de ferro.
  • Receio de contágio para outras incorporadoras, como Country Garden e Shimao Group.
  • Crescimento da aversão ao risco em portfólios internacionais expostos à China.

Consequências para o setor imobiliário chinês

O setor imobiliário responde por aproximadamente 25% do PIB da China. A crise da Evergrande serviu como um divisor de águas para as políticas de crédito no país. Reguladores chineses aumentaram a supervisão de alavancagem financeira, fixando limites para novos financiamentos e vendas antecipadas de imóveis.

Além disso, projetos habitacionais da Evergrande paralisados continuam afetando milhares de famílias chinesas que aguardam pela entrega de suas unidades. Em muitas cidades, manifestações e processos judiciais se multiplicaram.

A saída da empresa da bolsa representa também a dificuldade enfrentada pelas incorporadoras em recuperar a confiança de consumidores e investidores. A era de crescimento acelerado do setor parece dar lugar a uma nova fase de reestruturação e consolidação.

Histórico da queda e tentativas de recuperação

Desde 2021, a Evergrande tentou seguir diversos caminhos para evitar a falência completa. Entre as principais estratégias, estão:

  • Reestruturação de mais de US$ 20 bilhões em dívidas internacionais.
  • Propostas de troca de dívida por participação acionária.
  • Venda de subsidiárias, como o braço de veículos elétricos (Evergrande NEV).
  • Renegociações com bancos e governo local.

No entanto, as tentativas fracassaram diante da limitada liquidez da empresa e do cenário macroeconômico adverso. A morosidade na retomada da economia chinesa após a pandemia dificultou qualquer chance de recuperação. Em agosto de 2023, Hui Ka Yan, fundador da empresa, chegou a ser detido por autoridades chinesas sob acusações de práticas ilegais.

Saída da bolsa e o que esperar

A exclusão da Evergrande da Bolsa de Hong Kong efetiva o fim de uma era de protagonismo da empresa nos mercados globais. Não apenas marca a falência de uma incorporadora, mas também sinaliza que a era do crescimento ilimitado e financiado a crédito no setor imobiliário chinês chegou ao fim.

A situação da China Evergrande serve como alerta para players locais e internacionais. Governos e investidores esperam agora uma resposta mais forte do governo chinês no sentido de evitar contaminações maiores no sistema financeiro.

Embora outros grupos do setor ainda operem com alguma margem de solvência, o futuro do imobiliário chinês dependerá tanto das ações regulatórias quanto da recuperação da confiança do comprador local. Assim, observa-se uma mudança estrutural no modelo de negócios das gigantes do segmento, com foco mais sustentável e menos alavancado.

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