Banco ABC Brasil registra alta no lucro do 2º trimestre

O Banco ABC Brasil registrou um lucro ajustado de R$ 244,1 milhões no segundo trimestre de 2025. O resultado representa uma alta de 8,2% em relação ao primeiro trimestre deste ano.

Apesar desse avanço trimestral, houve uma queda de 2,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior, o que reflete impactos específicos nas receitas de mercado e serviços.

Lucro impulsionado pela margem com clientes

O desempenho positivo no trimestre foi atribuído principalmente ao aumento da margem com clientes e ao maior retorno do patrimônio líquido remunerado ao CDI. Com esses fatores, o banco conseguiu manter a rentabilidade em alta, mesmo diante de um cenário econômico de ajustes fiscais e volatilidade nos juros.

Nesse movimento, a margem financeira líquida do ABC Brasil totalizou R$ 525 milhões — avanço de 5,5% frente ao trimestre anterior, embora tenha mostrado uma leve retração de 0,1% na comparação anual.

Por outro lado, a queda na margem com o mercado e na receita com serviços influenciou negativamente o desempenho frente ao segundo trimestre de 2024. Ainda assim, o banco demonstrou capacidade de recompor parte da performance por meio de uma gestão focada em rentabilidade.

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Expansão na carteira de crédito e controle da inadimplência

A carteira de crédito expandida atingiu R$ 52,1 bilhões, o que representa alta de 1,8% no trimestre e 7,9% nos últimos 12 meses. Na prática, isso significa maior concessão de crédito para empresas, público prioritário da instituição, reforçando a participação no mercado de corporate banking.

Outro ponto de destaque foi a redução da inadimplência, que caiu para 0,7% frente aos 0,9% do trimestre anterior. O dado evidencia uma melhora na qualidade da carteira e no perfil de risco assumido pela instituição.

Esse cenário de crescimento com responsabilidade indica uma postura conservadora do banco frente à deterioração macroeconômica, apostando em setores mais resilientes e clientes com bom perfil de crédito.

Receita de serviços avança no trimestre, mas recua em 12 meses

A receita com serviços totalizou R$ 113 milhões neste segundo trimestre, alta de 10,2% frente aos três primeiros meses do ano. O crescimento foi favorecido pela maior atividade em operações estruturadas e serviços financeiros especializados, que são pontos fortes do ABC Brasil.

No entanto, na comparação anual, houve retração de 7,5%. A desaceleração pode estar relacionada com menor volume de assessorias financeiras e reestruturações de operações — segmentos mais sensíveis ao ambiente macro.

Mesmo com essa queda, a receita de serviços compõe um percentual relevante do faturamento recorrente e ajuda na diversificação de fontes de receita além dos ganhos com crédito.

Despesas sob controle preservam eficiência operacional

As despesas administrativas e com pessoal ficaram em R$ 194,9 milhões, o que representou queda de 1,4% em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, houve acréscimo de 2,6%, abaixo da inflação no mesmo período, demonstrando esforço na contenção de custos.

Esse controle contribuiu diretamente para manter a eficiência operacional e a base de lucratividade do banco mesmo diante de pressões do mercado. Essa disciplina de gastos tem sido marca recorrente da instituição que atua, principalmente, no nicho de empresas.

A melhora no índice de inadimplência e a retomada da margem com clientes ajudaram ainda mais a preservar os bons indicadores, mesmo em um ambiente financeiro mais desafiador.

Rentabilidade mantém trajetória de alta

O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado (ROAE) alcançou 15,0% no segundo trimestre de 2025. O índice mostra avanço frente aos 14,1% do primeiro trimestre deste ano, embora ainda abaixo dos 16,1% registrados no mesmo período de 2024.

O dado indica que, mesmo com a queda da receita de serviços e pressões ocasionais nas margens de mercado, o banco conseguiu entregar retorno acima da média do sistema financeiro. Isso se deu especialmente pelo ganho com clientes e pela melhoria no desempenho operacional.

Em perspectiva, o desafio será manter essa rentabilidade em meio ao cenário macroeconômico ainda carregado, considerado os desdobramentos das políticas monetárias no Brasil (IPCA) e nos Estados Unidos (CPI), temas que devem influenciar fortemente o comportamento dos ativos daqui para frente.

Perspectivas diante do cenário econômico

Com a agenda econômica do dia focada nos novos números do IPCA no Brasil e CPI nos EUA, o setor financeiro permanece em estado de atenção. O Banco ABC Brasil, ao entregar um trimestre de crescimento moderado e controle de inadimplência, se posiciona bem para enfrentar os possíveis ajustes de mercado.

A resiliência da carteira de crédito, aliada ao rígido controle de despesas e margens operacionais positivas, garantem estabilidade para o banco nos próximos ciclos. Ainda que o ritmo de crescimento possa desacelerar, a consistência apresentada demonstra um modelo de negócio alinhado às demandas atuais do mercado corporativo.

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