O mercado internacional de petróleo amanheceu em baixa nesta sexta-feira, reagindo à imposição de tarifas comerciais pelo governo dos Estados Unidos. A medida, liderada pelo então presidente Donald Trump, gerou novas preocupações sobre os impactos na economia global.
Mesmo com a forte queda do dia, os preços da commodity seguem em trajetória de valorização na semana, impulsionados por fatores anteriores ao anúncio das novas tarifas. Contudo, o abalo recente levanta alertas quanto à sustentabilidade dessa alta.
O que você vai ler neste artigo:
Reação imediata do mercado
Ao longo da manhã, por volta das 8h30 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent para entrega em outubro cedia 0,92%, cotado a US$ 71,04na bolsa ICE, sediada em Londres. Já o WTI, referência americana para setembro, recuava 0,95%, negociado a US$ 68,60na Nymex, de Nova York.
Essa queda reflete principalmente os temores de que a ofensiva tarifária de Trump agrave desacelerações já observadas em grandes economias. A medida dos EUA afeta diretamente o fluxo de comércio global, com potenciais repercussões sobre a demanda por petróleo.
Os receios se intensificam em meio ao aumento de estoques de petróleo nos Estados Unidos, conforme relatório mais recente. A menor exportação da commodity contribuiu para esse acúmulo, pressionando ainda mais os preços no curto prazo.
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Estoques crescentes nos EUA e queda na exportação
Uma das variáveis que pesaram negativamente sobre os preços foi a divulgação dos dados semanais de estoques americanos. Segundo analistas do ING, o volume total armazenado de petróleo e derivados alcançou os níveis mais altos desde outubro de 2024.
Esse crescimento nos estoques foi impulsionado por uma expressiva queda nas exportações, reflexo direto da perda de competitividade em meio às novas tarifas e do aumento da tensão comercial com parceiros estratégicos.
O excesso de oferta no mercado interno combinado ao cenário incerto no exterior contribuiu para a aversão ao risco entre investidores da área de energia. Esse dado específico joga contra as expectativas de valorização sustentada da commodity nos próximos ciclos.
Incertezas sobre os efeitos econômicos do tarifaço
A imposição de tarifas por parte do governo Trump coloca o mercado global em estado de alerta. Ainda que a medida tenha como objetivo proteger a indústria americana, há dúvidas crescentes sobre sua eficácia e impacto colateral, especialmente sobre a cadeia energética.
Estrategistas financeiros avaliam que a política comercial mais agressiva dos EUA tende a gerar efeitos adversos sobre o crescimento de parceiroscomo China, União Europeia e até países emergentes, reduzindo suas demandas por petróleo e combustíveis fósseis.
Esse cenário de aperto comercial global ameaça desencadear uma desaceleração mais ampla, com impacto direto nas cotações da commodity, uma vez que o consumo energético tende a cair em períodos de retração econômica.
Perspectivas para a valorização semanal
Apesar da queda firme no dia, o petróleo ainda caminha para acumular ganhos na semana. Tais ganhos foram impulsionados, anteriormente, por interrupções na ofertaem países como Líbia e Nigéria, além da contínua restrição da produção por parte da Opep+.
No entanto, os efeitos positivos desses eventos começaram a ser ofuscados pela escalada das tensões comerciais. Com o agravamento da guerra tarifária, investidores passaram a reavaliar os fundamentos do mercado e reprecificar os ativos energéticos.
Especialistas avaliam que, se novas tarifas forem anunciadas ou se houver resposta agressiva de outros países, o comportamento do preço do petróleo poderá mudar drasticamente, com picos de volatilidade nos próximos pregões.
Impacto global e movimentos em outros mercados
Os impactos do tarifaço já se manifestam além do petróleo. As bolsas europeias, por exemplo, registraram quedas firmesnesta sexta-feira, diretamente relacionadas às tarifas impostas pelos EUA. Setores industriais e de exportação foram os mais afetados.
Movimentos semelhantes também foram observados em mercados asiáticos e nos índices futuros de Wall Street, indicando que o teme tarifário continuará sendo um fator central na dinâmica dos mercados nos próximos dias.
Portanto, o mercado de petróleo segue sensível aos desdobramentos da política comercial americana. Investidores e analistas devem acompanhar atentamente a evolução dessas medidas e possíveis contrarrespostas, que poderão reconfigurar as perspectivas para a commodity no curto e médio prazos.
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