Ouro atinge alta histórica com novas tarifas

A cotação do ouro encerrou a última sexta-feira com forte valorização, após a confirmação de que os Estados Unidos imporão tarifas sobre a importação de barras de ouro de um quilo. A notícia movimentou o mercado global e refletiu diretamente nos contratos futuros do metal negociados na bolsa americana Comex.

Com a tensão comercial renovada, investidores passaram a buscar proteção no ouro, impulsionando seu valor. O resultado foi uma alta significativa, que levou o ativo a níveis próximos de seus recordes históricos.

Reação imediata dos mercados

Os contratos futuros de ouro com vencimento para outubro fecharam a sessão da Comex em alta de 1,10%, cotados a US$ 3.463,0 por onça-troy. O desempenho semanal também foi expressivo, com ganhos acumulados de 2,65%. A medida tarifária atingiu justamente as barras de ouro de um quilo — o formato mais tradicional de negociação da Comex —, gerando impacto direto sobre os fluxos comerciais do metal.

O relatório responsável pela divulgação detalha que tais tarifas representam um entrave às operações internacionais de refino, afetando principalmente a Suíça, país que lidera o setor mundial de refino de ouro. Segundo o jornal britânico Financial Times, a Alfândega e a Proteção de Fronteiras dos EUA emitiram um comunicado alertando para as implicações imediatas da decisão.

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Contexto geopolítico e comercial

As tarifas impostas pelos EUA refletem movimentos estratégicos não apenas econômicos, mas também geopolíticos, aumentando a fricção com mercados que dependem do comércio de ouro refinado. Há ainda um pano de fundo político: a medida ocorre em meio ao aquecimento do clima eleitoral norte-americano, o que pode estar influenciando decisões da administração atual.

Analistas de commodities observam com atenção os próximos passos da Casa Branca. Ole Hansen, estrategista-chefe do Saxo Bank, sugeriu que cortes ou reversões na decisão podem ocorrer — o chamado “momento TACO” (Trump Always Chickens Out). Segundo ele, se isso não ocorrer, o spread entre os preços poderá se ajustar para refletir o novo cenário de tarifas.

Impactos sobre o mercado internacional

O novo regime tarifário pode resultar no redirecionamento das rotas comerciais do ouro. Para a Suíça, esse é um golpe estratégico, considerando sua posição como centro global de refino. Empresas suíças agora encaram custos adicionais para acessar o mercado americano, o que pode desencadear aumento do preço ao consumidor ou redirecionamento do fluxo para outras regiões.

Além disso, o fortalecimento do ouro traz um alerta para outras commodities, que podem sofrer oscilações em decorrência de represálias comerciais ou ajustes cambiais. O mercado de metais preciosos, historicamente utilizado como proteção em tempos de incerteza, deve manter forte demanda caso persistam tensões comerciais.

Perspectivas futuras para o ouro

Com a proximidade das máximas históricas, o ouro se reafirma como um dos ativos mais procurados em períodos de instabilidade. O cenário atual oferece suporte adicional para essa valorização, com elementos como inflação persistente, crescimento global enfraquecido e tensões comerciais elevadas entre grandes economias.

Investidores institucionais e fundos de hedge tendem a reforçar suas posições no metal, mantendo volumes elevados nos contratos futuros. Além disso, bancos centrais, especialmente em países emergentes, podem intensificar a compra de reservas de ouro como medida preventiva contra riscos cambiais e geopolíticos.

Embora os picos de preço possam ensejar movimentos de correção, o panorama indica que o ouro deve manter-se valorizado no curto e médio prazo. A evolução do conflito tarifário dos EUA com seus parceiros comerciais, inclusive a Europa, será decisiva para a sustentação da atual trajetória altista.

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