A semana começa com otimismo nos mercados globais, impulsionados pela expectativa de cortes nos juros dos Estados Unidos, após sinais mais claros de desaceleração econômica. No Brasil, investidores acompanham a divulgação dos dados do Caged e possíveis avanços nas tratativas com os EUA sobre as tarifas de importação.
O ambiente externo favorável, somado à força do mercado de trabalho doméstico e movimentos diplomáticos para conter impactos comerciais, deve influenciar o desempenho dos ativos locais ao longo do dia.
O que você vai ler neste artigo:
Expectativas de corte de juros movimentam os mercados globais
Com os dados abaixo do esperado do “payroll” de junho nos EUA, os investidores reforçaram as apostas em um corte de juros já na próxima reunião do Federal Reserve, agendada para setembro. O relatório revisado também mostrou que os dois meses anteriores tiveram desempenho ainda mais fraco do que o inicialmente informado.
Esses dados contribuíram para o tom mais cauteloso do presidente do Fed, Jerome Powell, alimentar as perspectivas de estímulo monetário. O CME FedWatch Tool mostra que cerca de 85,5% dos investidores apostam em um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa para 4%–4,25%, enquanto apenas 14,5% ainda esperam manutenção.
Como resposta, os principais índices futuros de Nova York abriram em alta: o contrato futuro do S&P 500 subia 0,63%, o Nasdaq avançava 0,79% e o Dow Jones ganhava 0,63%. Já o índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, recuava 0,37%, negociando a 98,775 pontos.
Na Europa, o otimismo ecoou. O índice pan-europeu Stoxx 600 registrava alta de 0,56%, enquanto o CAC 40, da Bolsa de Paris, subia 0,79%. Esse movimento global de apetite por risco também tende a favorecer os mercados emergentes.
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Mercado de trabalho brasileiro em foco com dados do Caged
No cenário doméstico, os agentes acompanham a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referente ao mês de junho. Após a surpresa positiva da taxa de desemprego trimestral divulgada na última sexta-feira, espera-se agora uma desaceleração no ritmo de geração de empregos formais.
Segundo a mediana das 17 projeções coletadas pelo Valor Data, são esperadas cerca de 175 mil vagas líquidas criadas em junho. Embora o número sinalize moderação frente aos meses anteriores, ele ainda reflete um mercado de trabalho resiliente, como pontuado pelo Banco Central em sua mais recente reunião do Copom.
O índice de desemprego bateu 5,8% no segundo trimestre, o menor nível desde o início da série histórica do IBGE. Isso reforça a leitura de que, mesmo em um contexto de arrefecimento econômico, o mercado de trabalho brasileiro apresenta solidez e contribui para sustentar a atividade interna.
Tarifas americanas sobre o Brasil pressionam o comércio exterior
Além dos indicadores econômicos, o mercado acompanha de perto os desdobramentos das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. As tarifas de 50% impostas por Donald Trump, que atingem produtos brasileiros, entram em vigor nesta quarta-feira (6).
O governo brasileiro tenta, nos bastidores, reduzir a lista de produtos tarifados e evitar choques mais severos sobre setores-chave da economia, como aço, alumínio e produtos agrícolas. O presidente Lula afirmou estar disposto ao diálogo, embora tenha reiterado que sua prioridade no momento é proteger a economia nacional frente às sanções unilaterais.
Por sua vez, Trump declarou estar aberto a conversas, mas não sinalizou mudanças imediatas nas medidas. Internamente, o governo prepara um plano de contingência para mitigar os efeitos das tarifas, conforme apurado pelo jornal "O Globo".
Perspectiva para os ativos brasileiros
com um ambiente externo menos restritivo, possíveis avanços diplomáticos e um mercado de trabalho ainda aquecido, os ativos locais podem encontrar suporte nos próximos dias. Investidores devem ajustar seus portfólios à medida que novos dados confirmem tendências e sinalizem os próximos passos da política monetária nos EUA e no Brasil.
A movimentação cambial, o comportamento da curva de juros e o desempenho da Bolsa serão pautados pelas apostas de corte no Fed, pela leitura completa sobre o Caged e pela evolução das negociações comerciais bilaterais. A combinação desses fatores será determinante para ditar o rumo dos mercados neste início de semana.
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