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Inflação no Brasil e nos EUA influencia juros futuros

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Inflação no Brasil e nos EUA influencia juros futuros — Inflação no Brasil e nos EUA gera expectativas sobre cortes de juros e impacta decisões econômicas globais no cenário atual.

A recente divulgação dos dados de inflação agitou os mercados financeiros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A leitura dos indicadores tem provocado ajustes nas projeções de cortes de juros e influenciado estratégias de investidores.

Enquanto no cenário interno o IPCA mostra sinais de desaceleração, nos EUA, o índice de preços ao consumidor veio abaixo do esperado, abrindo espaço para novas especulações sobre a política monetária do Federal Reserve.

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Inflação no Brasil: expectativa por continuidade nos cortes da Selic

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), principal indicador da inflação no Brasil, registrou uma alta de 0,23% em maio, conforme os dados mais recentes divulgados pelo IBGE. A taxa veio abaixo das expectativas do mercado e acumulou alta de 3,93% em 12 meses. Essa sinalização reforça a percepção de que a trajetória de queda da inflação continua consistente, mesmo diante de pressões pontuais.

O resultado abriu margem para que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, mantenha sua estratégia de cortes graduais na taxa Selic. Atualmente em 10,50% ao ano, a taxa básica de juros pode ser diminuída ainda em 2024, dependendo da evolução dos próximos indicadores. O foco está especialmente na inflação de serviços e na ancoragem das expectativas para 2025.

Apesar da tendência de desaceleração, fatores como preços de alimentos e as incertezas fiscais ainda exigem cautela. A projeção da Selic para o fim do ano, segundo o Boletim Focus, encontra-se em 10,25% ao ano, sinalizando espaço limitado para novos cortes expressivos.

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Sinais de alívio nos Estados Unidos impulsionam apostas no Fed

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,2% em maio, abaixo dos 0,3% estimados pelos analistas. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 3,3%, ainda longe da meta de 2% do Federal Reserve, mas suficiente para provocar reflexos imediatos nos mercados futuros de juros.

Após o resultado, investidores ampliaram as apostas de que o banco central norte-americano poderá iniciar o ciclo de cortes em setembro. As expectativas antes estavam voltadas para dezembro, ou até mesmo 2025, devido à resiliência do mercado de trabalho e consumo.

Essas projeções, no entanto, estão sujeitas a revisões rápidas. Isso porque o presidente do Fed, Jerome Powell, tem adotado um discurso prudente, frisando a necessidade de mais evidências de que a inflação está, de fato, em trajetória sustentável de queda. A decisão sobre os juros será, portanto, altamente sensível aos dados mensais futuros.

Outro ponto de atenção é a inflação de serviços, especialmente os aluguéis e os custos com saúde, que continuam pressionando a cesta de preços e representando um obstáculo para uma política monetária mais expansionista no curto prazo.

Impacto nos mercados e estratégias dos investidores

A reação às novas leituras inflacionárias foi imediata nos mercados financeiros. O dólar teve queda frente ao real, refletindo o otimismo com um possível alívio monetário nos EUA e uma política ainda flexível no Brasil. Já o Ibovespa mostrou recuperação após semanas de pressão, impulsionado por ações sensíveis a juros, como varejo e construção civil.

Nos títulos públicos, a curva de juros futuros também cedeu, indicando que os agentes financeiros passaram a precificar com mais força um ambiente com taxas mais baixas nas duas maiores economias do continente. Essa percepção pode favorecer o apetite por ativos de risco tanto no mercado interno quanto internacional.

  • No Brasil, os fundos atrelados à inflação retornaram ao radar dos investidores.
  • Renda variável ganhou atratividade com a expectativa de cortes na Selic.
  • Nos EUA, aumento da busca por Treasuries mais longos, refletindo busca por proteção contra eventual afrouxamento monetário.

Uma possível mudança mais clara na postura do Fed, combinada com a manutenção do corte gradual da Selic pelo Copom, pode estabelecer um novo cenário para o segundo semestre com maior liquidez e valorização de ativos emergentes.

Perspectivas: juros mais baixos, mas com moderação

Apesar dos sinais positivos nos dados recentes, tanto no Brasil quanto nos EUA, analistas alertam que os bancos centrais ainda operarão com grau elevado de cautela. O risco de reversões inflacionárias, somado a incertezas fiscais e eleitorais no horizonte, exige que as decisões sejam baseadas em dados concretos e não apenas em projeções.

Por enquanto, os números apoiam a continuidade de cortes moderados. A inflação mais controlada no Brasil, se sustentada, pode permitir que a Selic termine 2024 abaixo dos atuais 10,50% ao ano. Nos Estados Unidos, mesmo que os cortes de juros comecem em setembro, não se espera um ciclo agressivo — talvez dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo do ano.

Assim, a convergência de inflação para patamares mais baixos, nos dois países, sustenta as apostas em flexibilização monetária. Porém, o ritmo dessa trajetória dependerá de forma direta da consistência dos dados que ainda virão.

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