O início da semana é marcado pela expectativa em torno da divulgação de dados relevantes da economia brasileira e norte-americana. A movimentação reflete tanto nas projeções sobre inflação quanto nos sinais de desempenho da atividade econômica.
Os investidores mantêm cautela enquanto aguardam os desdobramentos de indicadores que podem influenciar os próximos passos das políticas monetárias. O foco está especialmente nos índices de preços e nos relatórios do setor de serviços e indústria.
O que você vai ler neste artigo:
Dados de inflação destacam as atenções
A agenda econômica desta semana está centrada nos indicadores de inflação tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No cenário doméstico, o IPCA-15 de maio será divulgado, com expectativas do mercado em torno de uma desaceleração no ritmo inflacionário. Economistas projetam alta de cerca de 0,45% no índice, após avanço de 0,21% registrado em abril, acumulando variação de 4,3% em 12 meses.
O comportamento dos preços dos alimentos e da energia elétrica serve como principal preocupação. O alívio nesses grupos pode sustentar a tese de que a inflação está convergindo para a meta do Banco Central. Em um ambiente de juros elevados e ciclo de cortes mais lento, qualquer surpresa nesse indicador tende a influenciar diretamente as apostas sobre a Selic nas próximas reuniões.
Nos Estados Unidos, o PCE (Personal Consumption Expenditures) — principal medida de inflação adotada pelo Federal Reserve — será observado de perto. As projeções apontam para uma alta de 0,3% no núcleo do índice. A persistência nos preços, aliada a dados mais fortes do mercado de trabalho, amplia a incerteza sobre o início de cortes nos juros pelo Fed.
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Números de atividade completam o cenário
Além da inflação, os números de atividade econômica também comandam os holofotes na semana. No Brasil, o destaque é a prévia do PIB do primeiro trimestre, com a divulgação do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma aproximação importante do desempenho do Produto Interno Bruto. A expectativa é de leve crescimento, reforçado pela resiliência do setor de serviços e pelo avanço do agronegócio.
Outro dado relevante será a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que pode mostrar se o fôlego do consumo se mantém em meio a um mercado de crédito ainda restrito. A participação dos serviços no PIB brasileiro tem sido expressiva, e os efeitos dos juros altos sobre a expansão do setor serão observados nos detalhes desse relatório.
Nos EUA, os investidores aguardam a segunda leitura do PIB do primeiro trimestre, além de dados do mercado imobiliário e de encomendas de bens duráveis. Esses relatórios oferecem pistas sobre a força da economia americana diante de uma política monetária ainda restritiva.
Expectativas sobre decisões dos bancos centrais
A combinação de inflação resistente com dados econômicos resilientes coloca os bancos centrais novamente no centro das decisões de curto prazo. No Brasil, o Banco Central adotou tom mais cauteloso em sua última reunião, reduzindo o ritmo de corte dos juros para 0,25 ponto percentual e sinalizando incertezas à frente. Desta vez, os dados podem reforçar ou enfraquecer essa postura.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve tem reiterado que ainda não há pressa para começar o processo de afrouxamento monetário. A dúvida se intensifica à medida que os dados continuam surpreendendo para cima. O comportamento dos Treasuries e a valorização do dólar também continuarão refletindo a desconfiança do mercado em relação a cortes iminentes de juros.
Os próximos dias serão, portanto, determinantes para avaliar o ponto de equilíbrio entre crescimento e controle de preços. A depender dos dados, os mercados podem revisar projeções e seguir ajustando as curvas de juros futuros.
Reações nos mercados financeiros
Com tantos dados sensíveis no radar, os investidores globais devem manter o posicionamento defensivo. No Brasil, o Ibovespa, que tem oscilado com base no comportamento da taxa de juros, pode sofrer maior volatilidade caso o IPCA-15 venha acima do esperado. Além disso, a taxa de câmbio permanece sensível às perspectivas fiscais e à conjuntura internacional.
Nos Estados Unidos, o comportamento do índice Nasdaq e das ações de tecnologia pode ser influenciado diretamente pelos sinais de atraso nos cortes pela autoridade monetária. A este contexto somam-se ainda os efeitos da trajetória do petróleo e das tensões geopolíticas, que seguem impactando a precificação de ativos.
A preocupação com o comportamento inflacionário deixou evidente a dificuldade que os principais bancos centrais enfrentam ao tentar equilibrar estímulo e estabilidade. O avanço dos preços, quando combinado com crescimento econômico aquém do necessário, complica um cenário já volátil.
Os reflexos devem ser sentidos tanto nas moedas emergentes quanto nos fluxos de capitais. Um ambiente externo mais restritivo pode reverter parte das entradas de capital vistas nos últimos meses, exigindo prudência adicional nas estratégias de curto prazo.
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