Dados econômicos relevantes influenciaram o humor dos investidores nesta sexta-feira (29), com atenção voltada para os números da inflação nos Estados Unidos e o cenário fiscal no Brasil. A reação dos mercados foi marcada por cautela, embora com sinais de estabilidade em alguns segmentos.
Nos EUA, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), medida preferida pelo Federal Reserve, trouxe alívio ao vir alinhado com as expectativas. No Brasil, os dados fiscais indicaram deterioração nas contas públicas, reacendendo preocupações entre agentes econômicos.
O que você vai ler neste artigo:
Inflação do PCE nos Estados Unidos
O núcleo do índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) apresentou alta de 0,1% em maio, em linha com o esperado pelo mercado. Na comparação anual, a inflação ficou em 2,6%, mantendo-se estável frente ao dado de abril e consolidando a percepção de que o arrefecimento de preços continua gradual.
Esse resultado reforça a possibilidade de que o Federal Reserve mantenha os juros inalterados pelas próximas reuniões, diante da ausência de surpresas inflacionárias. Analistas destacam que a estabilização do PCE interrompe a sequência de altas acima do previsto registrada no primeiro trimestre deste ano.
Na leitura completa, o índice cheio do PCE também subiu 0,1% no mês, com alta anual de 2,6%. Gastos dos consumidores mostraram moderação, crescendo 0,2%, enquanto a renda pessoal subiu mais expressivamente, 0,5%, sinalizando mudança de comportamento nas decisões de consumo.
Os dados vieram em meio a uma semana carregada de indicadores importantes, como o PIB do segundo trimestre e o índice de confiança do consumidor. A conjunção dessas leituras sugere que a economia americana segue resiliente, mas com ritmo moderado de crescimento.
Mercados reagiram com ligeira valorização dos índices futuros em Nova York. As treasuries de 10 anos operaram em queda leve nos rendimentos, enquanto o dólar perdeu força globalmente, acompanhando a leitura positiva dos dados.
Quer impactar quem entende de finanças?
Divulgue sua marca em um site focado em finanças, investimentos e poder de compra.
Cenário fiscal do Brasil
No front doméstico, os dados fiscais divulgados pelo Tesouro Nacional indicaram um déficit primário de R$ 61 bilhões no mês de maio, o maior para o período desde o início da série histórica, em 1997. O resultado acende alertas sobre o compromisso do governo com a meta de zerar o déficit em 2024.
Ao longo do ano, a equipe econômica vem enfrentando dificuldade para aumentar a arrecadação sem elevação de tributos, uma vez que a reforma tributária segue em tramitação e medidas para fechamento de brechas fiscais ainda não se consolidaram.
Com o resultado de maio, o saldo acumulado do ano saltou para um déficit primário de R$ 29,9 bilhões, reflexo de receitas fracas e aumento das despesas com benefícios previdenciários e gastos obrigatórios. O próprio Tesouro reconheceu a dificuldade na gestão orçamentária.
A curva de juros reagiu com alta nos prazos mais longos, puxada pela deterioração nas expectativas fiscais. Parte dos investidores teme que o governo tenha que rever suas metas ou recorrer a medidas de contingenciamento mais agressivas.
O Ibovespa operou com volatilidade ao longo do pregão, pressionado também pelo cenário externo. O dólar voltou a ganhar força frente ao real, terminando o dia em leve alta, refletindo tanto o movimento global quanto os riscos internos.
Expectativas dos mercados
A combinação entre dados benignos de inflação nos EUA e deterioração fiscal no Brasil moldou uma sessão de aversão moderada ao risco, principalmente entre ativos emergentes. Em Nova York, os ativos mantiveram tendência positiva, impulsionados pela leitura de que o Fed poderá iniciar corte de juros a partir de setembro.
O cenário local, por outro lado, impõe desafios adicionais ao Banco Central, que já encerrou o ciclo de cortes da Selic. Com a perda de ancoragem fiscal, o espaço para redução futura da taxa básica de juros fica mais limitado.
Alguns economistas avaliam que, sem medidas estruturais, o governo brasileiro terá dificuldade em honrar o novo arcabouço fiscal. As próximas revisões da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da meta fiscal serão observadas atentamente.
Enquanto isso, o foco recai sobre o diálogo entre equipe econômica e Congresso em torno de medidas fiscais, como a reoneração da folha e a taxação de fundos exclusivos. A resposta do Legislativo será determinante para calibrar a estratégia do Executivo.
A agenda da próxima semana ganha relevância com a divulgação da ata do Copom, dados de produção industrial brasileiros e números de emprego nos EUA. Esses eventos devem balizar as expectativas dos mercados para o curto prazo.
Leia também:
- Ações chinesas atingem maior nível desde 2021 com dados comerciais positivos
- Ações do Banco do Brasil despencam 7% com ameaças de sanções
- Ações do banco Inter sobem com recomendação de compra do BTG
- Acordo entre EUA e China impulsiona mercados globais
- Agenda econômica da semana: PIB nos EUA e IPCA-15 no Brasil
- Apple valoriza US$ 180 bilhões após trégua comercial EUA-China
- Ata do Copom e inflação dos EUA movimentam mercados hoje
- Ata do Copom, prisão de Bolsonaro e dados dos EUA influenciam mercados