Início » Fed e Copom definem juros enquanto tarifas dos EUA influenciam mercados

Fed e Copom definem juros enquanto tarifas dos EUA influenciam mercados

Publicado em
Fed e Copom definem juros enquanto tarifas dos EUA influenciam mercados — Decisões do Fed e Copom sobre juros, dados econômicos dos EUA e tarifas de Trump devem movimentar os mercados hoje.

O início desta quarta-feira reserva forte expectativa nos mercados globais, impulsionada pelas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom). Enquanto ambos devem manter as taxas inalteradas, as atenções se voltam ao tom dos comunicados.

Investidores também monitoram com cautela os dados econômicos dos EUA e os desdobramentos das novas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, que podem impactar diretamente a atividade global a partir da próxima sexta-feira.

Inscreva-se em nossa newsletter

Receba gratuitamente dicas, notícias e conteúdos exclusivos para transformar sua vida financeira.

*Ao enviar os dados você concorda com a nossa Política de Privacidade e aceita receber informações adicionais.

Decisões de política monetária movimentam os mercados

A sinalização das autoridades monetárias dos Estados Unidos e do Brasil terá papel decisivo no comportamento dos ativos financeiros nesta sessão. Embora o consenso do mercado aponte para a manutenção das taxas básicas tanto pelo Fed quanto pelo Copom, o foco estará voltado para o conteúdo dos respectivos comunicados.

No caso norte-americano, há expectativa sobre como o Federal Reserve irá reagir aos sinais recentes de desaceleração econômica, especialmente diante de uma possível intensificação da guerra comercial. A dúvida principal recai sobre se o Fed adotará uma postura mais cautelosa ou dará indícios de possíveis cortes futuros, caso os impactos sobre a economia se intensifiquem.

No Brasil, mesmo com uma inflação abaixo das metas e um crescimento ainda fraco, a autoridade monetária segue em equilíbrio entre estímulo e prudência. O cenário externo turbulento e incertezas fiscais internas mantêm o Copom em compasso de espera, o que justifica a manutenção da taxa Selic e explica o alívio recente nos juros futuros.

Quer impactar quem entende de finanças?

Divulgue sua marca em um site focado em finanças, investimentos e poder de compra.

Principais indicadores dos EUA sob os holofotes

A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) americano referente ao segundo trimestre é um dos dados mais aguardados do dia. O mercado projeta uma expansão de 2,3% em base anualizada, número que, se confirmado, reforçaria a visão de resiliência, ainda que moderada, da maior economia do mundo.

Outro destaque é o relatório da ADP, que antecipará a criação de empregos no setor privado em julho. Após um fechamento inesperado de vagas no mês anterior, a expectativa está na geração de 64 mil novos postos — um número tímido, mas capaz de sinalizar estabilização no mercado de trabalho.

Além disso, o relatório Jolts mostrou um recuo nas vagas em aberto em junho, de 7,7 milhões para 7,4 milhões. A diminuição indica uma possível perda de fôlego na empregabilidade, cenário que pode reforçar a cautela da autoridade monetária norte-americana.

Guerra comercial volta ao radar com novas tarifas

A aproximação do prazo final para entrada em vigor de novas tarifas dos Estados Unidos sobre importações tem alimentado a aversão ao risco entre investidores. A política tarifária promovida por Trump continua gerando incertezas, especialmente após as negociações entre autoridades americanas e chinesas, recentemente concluídas na Suécia, terem avançado sem confirmação de resultados concretos.

No caso do Brasil, os sinais de que o governo federal está buscando negociar a exclusão de certos itens — como alimentos — das novas alíquotas de 50% foram bem recebidos pelo mercado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que os canais de diálogo estão sendo "vagarosamente desobstruídos", o que manteve um tom de moderado otimismo nos últimos pregões.

O clima, no entanto, segue tenso. Sem um posicionamento claro do governo norte-americano sobre as listas finais de tarifas, há riscos de impactos diretos na balança comercial brasileira e nos fluxos de capital estrangeiro.

Reação do mercado financeiro

A resposta dos mercados nesta terça-feira refletiu uma combinação de cautela com expectativa positiva. O Ibovespa encerrou o pregão com alta de 0,45%, aos 132.726 pontos, sustentado especialmente pelas empresas exportadoras diante da possível valorização do dólar.

O dólar à vista recuou 0,38%, cotado a R$ 5,5689, em meio à menor aversão ao risco e ao alívio nos juros. Já os contratos futuros de juros apresentaram queda, refletindo a leitura de que o Copom pode manter estabilidade na Selic diante do cenário externo incerto e da fragilidade doméstica.

Nos Estados Unidos, os futuros dos índices acionários operavam em leve alta nas primeiras horas do dia, enquanto o índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas fortes, oscilava próximo à estabilidade, aos 98,95 pontos.

Expectativas para os próximos dias

Com uma agenda intensa, os próximos dias seguem sendo decisivos para a direção dos mercados. A convergência entre decisões dos bancos centrais, indicadores econômicos cruciais e potenciais tensões comerciais formam um cenário de elevada sensibilidade a qualquer nova informação.

A depender do tom do Fed e do Copom, os mercados podem ajustar suas apostas sobre cortes ou manutenções de juros nas próximas reuniões. Ao mesmo tempo, os desdobramentos das medidas tarifárias de Trump seguem como o principal vetor de risco geopolítico no curto prazo.

Qualquer sinal de escalada no protecionismo ou avanço em acordos comerciais impactará diretamente o apetite ao risco global e, consequentemente, os ativos brasileiros. O quadro, portanto, exige atenção redobrada por parte dos investidores nos dias seguintes.

Leia também:

Publicações Relacionadas

Ao continuar a usar nosso site, você concorda com a coleta, uso e divulgação de suas informações pessoais de acordo com nossa Política de Privacidade. Aceito