Investidores reagiram com otimismo à possibilidade de cortes nas taxas de juros americanas em breve. Essa perspectiva tem afetado diretamente os principais mercados financeiros globais, com reflexos também sobre as moedas estrangeiras.
Com a menor atratividade dos títulos do Tesouro americano, o dólar vem mostrando sinais de enfraquecimento frente a outras moedas, ampliando o apetite por ativos de risco e favorecendo bolsas ao redor do mundo.
O que você vai ler neste artigo:
Expectativa de corte nos juros reforça otimismo nos mercados
Nos últimos dias, cresceram as apostas de que o Federal Reserve poderá iniciar o ciclo de corte de juros ainda em 2024. Indicadores mais fracos da economia americana, como dados do mercado de trabalho e inflação abaixo do esperado, sustentaram essa visão mais dovish da autoridade monetária.
Tal mudança no cenário tem impulsionado a performance das bolsas, sobretudo em países emergentes, onde a retomada de fluxos externos ganha força com o dólar mais fraco. Como consequência, os índices acionários reagem com valorização, acompanhando o aumento da disposição ao risco por parte dos investidores globais.
Outro fator relevante é o desempenho das empresas ligadas a setores sensíveis a juros, como tecnologia e consumo. Esses papéis tendem a se beneficiar diretamente da expectativa de um ambiente de taxas mais baixas, o que ocorreu nas bolsas norte-americanas como o Nasdaq, que registrou saltos consistentes nos últimos pregões.
Ainda nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos Treasuries de 10 anos recuaram para abaixo de 4,3%, patamar mais baixo em semanas, refletindo as apostas de relaxamento monetário futuro. Essa sinalização foi suficiente para firmar o movimento de fortalecimento nas bolsas e de enfraquecimento no dólar.
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Dólar perde força no exterior e frente ao real
O dólar tem sofrido desvalorização frente a moedas de países desenvolvidos e emergentes. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de seis divisas fortes, recuou significativamente nos últimos dias. Isso tem sido interpretado como reação direta à menor expectativa de retornos elevados nos Estados Unidos.
No ambiente doméstico, o real se beneficiou do movimento. A moeda brasileira valorizou-se em relação ao dólar, favorecida pelo maior fluxo estrangeiro para a bolsa e ativos de renda fixa. Investidores que antes priorizavam aplicações dolarizadas agora reavaliam seus portfólios diante do cenário de aumento de risco compensado por maior retorno fora dos Estados Unidos.
Além disso, a perspectiva de juros atrativos no Brasil também contribui para a valorização do real frente à moeda americana. Com a taxa Selic ainda em patamares elevados, mesmo com o ciclo de cortes iniciado, o diferencial de juros entre Brasil e EUA segue favorável à entrada de capital estrangeiro.
Essa combinação de fatores reduz a pressão sobre o câmbio e favorece a estabilidade do real. Caso a projeção de corte de juros no exterior se confirme nos próximos meses, é possível esperar uma continuidade, ainda que gradativa, da desvalorização do dólar frente a moedas emergentes.
Bolsas globais em trajetória de alta
Os principais índices acionários ao redor do mundo vêm se beneficiando com o atual sentimento de mercado. O otimismo derivado do possível afrouxamento monetário norte-americano elevou os principais benchmarks, como o S&P 500 e o Nasdaq.
Na Europa, também se observou avanço nas bolsas diante da expectativa de que o BCE (Banco Central Europeu) possa seguir caminho semelhante, ajudando a consolidar a melhora no ambiente de mercado. Com isso, ativos antes penalizados por juros elevados passaram a atrair novamente o interesse dos fundos.
Em mercados emergentes, como o Brasil, a onda positiva também se fez presente. Investidores estrangeiros ampliaram sua participação na B3, impulsionando ações sensíveis ao cenário externo, como as de commodities e grandes bancos. Os ganhos expressivos nessas categorias reforçam o movimento global de busca por oportunidades em países com fundamentos sólidos e espaço para crescimento.
A sinalização de pausa ou reversão na política de aperto monetário do Fed se torna, assim, peça-chave na reprecificação de ativos por gestores e analistas. Isso ajuda a consolidar um novo ciclo positivo para os mercados no segundo semestre do ano.
Perspectiva para os próximos meses
Com a divulgação mensal de novos dados econômicos nos Estados Unidos, o mercado financeiro seguirá atento a qualquer sinal relevante. Informações relacionadas à inflação, emprego e consumo podem redefinir o cronograma de cortes do FOMC (comitê de política monetária do Fed).
Embora existam incertezas, uma redução gradual nas taxas de juros é considerada benéfica para a retomada da atividade econômica global, favorecendo tanto países desenvolvidos quanto emergentes. Ainda assim, o Fed deverá evitar movimentos abruptos para não reacender pressões inflacionárias.
No Brasil, a continuidade do corte da Selic dependerá da evolução fiscal e do comportamento da inflação. Um ambiente externo mais benigno pode abrir espaço para aceleração, o que ampliaria ainda mais o diferencial positivo frente aos Estados Unidos e atrairia recursos adicionais.
Com isso, a tendência de valorização nas bolsas e de enfraquecimento do dólar pode se manter no radar, especialmente caso os próximos dados confirmem o início do ciclo de afrouxamento da política monetária americana ainda em 2024.
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