As bolsas globais iniciaram o dia em alta, diante de um cenário mais favorável à flexibilização da política monetária nos Estados Unidos. A movimentação ocorre mesmo com agenda econômica esvaziada, refletindo o aumento das apostas em cortes de juros promovidos pelo Federal Reserve.
Além disso, a valorização do ouro ocorre em sintonia com essa expectativa, além da perspectiva de taxações sobre importações da commodity. O otimismo atinge também o mercado brasileiro, com dólar em queda e juros futuros recuando.
O que você vai ler neste artigo:
Bolsas avançam em ambiente de incerteza controlada
Em uma sexta-feira de agenda econômica moderada, os mercados globais reagem de forma positiva à inclinação do Federal Reserve para uma política monetária mais acomodatícia. O nome de Christopher Waller, conhecido defensor da flexibilização de juros, ganha força nos bastidores como possível sucessor de Jerome Powell na presidência do Fed, reforçando o ânimo dos investidores.
Nos Estados Unidos, os índices futuros apontavam crescimento logo nas primeiras horas do pregão: o S&P 500 avançava 0,30%, enquanto o Nasdaq subia 0,31%. A valorização também foi influenciada pela nomeação interina de Stephen Miran como diretor do Fed até janeiro, o que sinaliza continuidade na postura mais favorável ao estímulo da economia.
Enquanto isso, o DXY — indicador que mede a força do dólar em relação a seis moedas relevantes — cedia 0,12%, aos 98,282 pontos, refletindo o menor apetite por ativos mais conservadores diante do cenário de juros potencialmente mais baixos nos EUA.
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Ouro bate novo recorde com apoio da política monetária e tarifas
A busca por proteção diante da possibilidade de mudanças tarifárias e a perspectiva de corte nos juros norte-americanos impulsionaram o ouro. O contrato da commodity para entrega em outubro atingiu nova máxima histórica, sendo negociado a US$ 3.471,70 por onça-troy, em alta de 0,53%.
Especificamente, o mercado foi afetado por rumores sobre a aplicação de tarifas sobre barras de ouro de um quilo, movimento que aumentaria os custos de importação e reforçaria a atratividade da commodity como ativo de reserva. A conjuntura reforça o ouro como um hedge natural em momentos de desvalorização cambial ou incerteza inflacionária.
Vale ressaltar que, historicamente, o metal precioso tende a se valorizar quando há expectativas de juros mais baixos, pois seu rendimento não está atrelado a cupons ou dividendos, o que melhora sua atratividade relativa.
Ibovespa embala quarta alta seguida, com destaque para ações de estatais
O Ibovespa encerrou a sessão anterior com expressiva valorização de 1,48%, alcançando os 136.528 pontos, embalado principalmente pelo otimismo em relação à política monetária global e a bons resultados corporativos aqui no Brasil. A recuperação de empresas estatais como a Petrobras e a Eletrobras deu o tom do pregão.
A Petrobras informou lucro líquido de R$ 26,65 bilhões no segundo trimestre, revertendo prejuízo anterior, ainda que o anúncio de dividendos tenha ficado abaixo das estimativas do mercado. Apesar disso, o resultado trouxe alívio a investidores que temiam desempenho mais fraco da petroleira.
Já os papéis preferenciais da Eletrobras classe B fecharam com alta vigorosa de 9,6%, impulsionados por números considerados positivos e pela expectativa de maior eficiência da companhia após a privatização. Smart Fit e Cogna também figuraram entre os destaques positivos, refletindo expectativas mais equilibradas sobre consumo e educação.
Dólar recua e juros futuros caem com clima externo benigno
O ambiente externo mais favorável ao risco, somado à menor aversão ao cenário doméstico, levou o dólar à vista a uma nova mínima desde 3 de julho, ficando cotado a R$ 5,4226 após queda de 0,74%. Essa é a quinta sessão consecutiva de perda da moeda americana frente ao real.
Os contratos de juros futuros acompanharam esse movimento e fecharam em queda, embutindo a menor percepção de risco e melhor perspectiva para a inflação local. O contexto de expectativa de menor aperto monetário nos Estados Unidos ajuda a aliviar parte da pressão sobre as curvas de juros emergentes, beneficiando diretamente o mercado brasileiro.
Outro fator de atenção nesta sexta-feira é o discurso do presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, além da participação de Diogo Guillen, diretor de política econômica do Banco Central, em um evento sobre conjuntura. Ambos podem oferecer pistas adicionais sobre os próximos movimentos na política monetária, tanto nos EUA quanto no Brasil.
Monitoramento do tarifaço e plano de contingência em destaque
No cenário geopolítico, investidores acompanham as movimentações do governo brasileiro frente às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. O aumento de 50% em tarifas sobre produtos-chave pode impactar setores de exportação, e a expectativa gira em torno da apresentação de um plano de contingência ainda nesta sexta-feira ou no início da próxima semana.
Esse plano será essencial para dar visibilidade sobre como o Brasil pretende mitigar os efeitos econômicos e comerciais da medida americana. Setores como metalurgia e agronegócio acompanham de perto os desdobramentos, devido ao possível impacto direto nas cadeias produtivas e no comércio exterior.
Apesar disso, o sentimento permanece majoritariamente positivo nos mercados, com os investidores concentrando-se mais no alívio monetário do que nas incertezas comerciais de curto prazo. A continuidade desse movimento dependerá, no entanto, dos ajustes finos de política econômica nas principais economias mundiais.
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