O dólar teve uma disparada significativa nesta sexta-feira (7), fechando em forte alta e ficando muito próximo da marca de R$ 5,50. Ao mesmo tempo, o Ibovespa encerrou o dia em queda expressiva, refletindo um cenário de instabilidade.
As bolsas brasileiras foram impactadas por uma combinação de fatores políticos e econômicos. A tensão entre o Brasil e os Estados Unidos e a repercussão de uma pesquisa eleitoral recente colocaram os investidores em alerta.
O que você vai ler neste artigo:
Pressão cambial e cenário político
A moeda norte-americana subiu 1,08% apenas no pregão de hoje, encerrando cotada a R$ 5,49. Este é o maior patamar desde janeiro de 2022. A valorização do dólar vem na esteira de um ambiente externo mais avesso ao risco, somado a preocupações locais crescentes, sobretudo no campo político.
Uma pesquisa eleitoral divulgada nas últimas horas acendeu o sinal de alerta nos mercados. O levantamento indicou uma piora na expectativa dos agentes econômicos com relação à condução da política econômica do país. Embora os detalhes da pesquisa não tenham sido comentados oficialmente pelas autoridades, a percepção de risco político aumentou o movimento de aversão a ativos brasileiros.
Além disso, atritos diplomáticos entre Brasília e Washington voltaram à tona, após declarações consideradas negativas por parte de autoridades brasileiras em relação à condução da política externa dos EUA. Analistas apontam que, embora ainda incipientes, essas tensões podem ganhar corpo e afetar relações comerciais e investimentos.
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Queda acentuada do Ibovespa
O Ibovespa, principal índice da B3, fechou com baixa de 1,73%, aos 119.140 pontos. A queda foi intensificada principalmente pelas perdas nos setores mais sensíveis ao dólar e ao cenário político, como bancos e empresas domésticas.
Papéis de instituições financeiras como Itaú e Bradesco registraram desvalorização considerável. Já ações de varejistas e companhias do setor imobiliário, que dependem mais diretamente da confiança do consumidor e do acesso ao crédito, também amargaram perdas expressivas.
O volume negociado foi mais elevado do que a média das últimas semanas, um sinal de que investidores institucionais — tanto estrangeiros quanto nacionais — resolveram rebalancear suas carteiras diante das incertezas crescentes.
Expectativas para os próximos dias
Nos próximos dias, o mercado deve continuar atento aos desdobramentos da relação entre Brasil e EUA, além de seguir monitorando o cenário político-eleitoral doméstico. Analistas apontam que a volatilidade deve permanecer no curto prazo, principalmente se não houver sinais claros de estabilidade institucional.
Também há expectativas sobre o posicionamento do Banco Central diante da escalada cambial. Até o momento, a autoridade monetária não fez leilões extraordinários de dólar, mas alguns analistas citam que tal medida pode ocorrer se a alta da moeda continuar e pressionar a inflação, lembrando o reflexo que isso pode trazer sobre os preços dos combustíveis e alimentos.
As próximas pesquisas eleitorais e eventuais pronunciamentos do governo serão observados com lupa pelos agentes financeiros. A cada sinal de deterioração nas expectativas, a tendência é de agravamento na percepção de risco e fuga de capital estrangeiro.
Reflexos no mercado externo
No exterior, o dia também foi de cautela. Dados de emprego mais fortes que o esperado nos EUA reacenderam temores de que o Federal Reserve possa manter os juros elevados por mais tempo. Esse fator torna os mercados emergentes menos atrativos, já que os títulos norte-americanos oferecem retorno maior com risco menor.
O fortalecimento global do dólar também é reflexo desse ambiente. Moedas de países emergentes, como o real brasileiro, acabaram especialmente penalizadas neste movimento de reajuste nas expectativas de política monetária americana.
No fechamento da semana, o Brasil se mostra mais vulnerável do que outras economias comparáveis. Com mais um dia de estresse no câmbio e na bolsa, o mercado reforça o recado: estabilidade política e previsibilidade continuam sendo fatores fundamentais para a confiança dos investidores.
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