Os mercados globais operam com cautela diante da iminência da divulgação de dados inflacionários no Brasil e nos Estados Unidos. Ambos os indicadores – o IPCA e o CPI – poderão determinar os próximos passos da política monetária de seus respectivos bancos centrais.
Enquanto isso, investidores mantêm atenção redobrada para as turbulências nas relações comerciais entre Brasil e EUA, especialmente após o cancelamento da reunião entre Fernando Haddad e o secretário do Tesouro dos EUA.
O que você vai ler neste artigo:
Expectativas para o IPCA de julho
A projeção mediana de 33 instituições financeiras aponta para uma alta de 0,35% no IPCA de julho, acima dos 0,24% computados em junho. Caso confirmado, o dado indicará uma leve aceleração da inflação brasileira no mês, embora dentro de um ritmo considerado administrável pelos analistas.
Esse patamar inflacionário reflete certa estabilidade no comportamento dos preços, ainda que influenciado por fatores pontuais. O mercado considera que a taxa, caso venha em linha com as estimativas, não deverá provocar mudanças bruscas na estratégia do Banco Central.
Ian Lima, diretor de renda fixa da Inter Asset, avalia que a combinação de inflação moderada e desaquecimento nos setores de varejo e serviços confirma a eficácia da política de juros restritivos adotada pelo Banco Central.
A leitura de que o atual ambiente macroeconômico ainda justifica uma taxa Selic ao redor de 13% até o fim de 2026 segue respaldada pela curva de juros. O cenário reforça a tese de que não há, por ora, espaço para cortes agressivos na taxa básica.
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Panorama nos EUA: CPI pode redefinir apostas para o Fed
Nos Estados Unidos, o foco principal recai sobre o relatório de inflação ao consumidor (CPI), com publicação prevista para esta semana. A depender da magnitude dos números, investidores recalibrarão suas projeções para os próximos movimentos do Federal Reserve.
No início da manhã, os contratos futuros dos índices de Nova York operavam de forma estável, enquanto os rendimentos dos Treasuries de dez anos também mostravam pouca oscilação. O dólar, medido pelo índice DXY, subia levemente 0,05%, alcançando 98,55 pontos, evidenciando cautela, mas não pânico nos mercados.
A menor oscilação dos ativos americanos nesta sessão matinal indica um compasso de espera pelo número da inflação, que poderá alimentar a possibilidade de manutenção ou retomada do ciclo de aperto monetário pelo Fed.
Tarifas dos EUA: tensões elevam incertezas comerciais
Outro elemento que contribui para a hesitação do mercado nesta semana é a tensão em torno das tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros. A reunião entre o ministro Fernando Haddad e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi cancelada, acirrando a sensação de impasse nas tratativas.
Segundo Haddad, o adiamento ocorreu após pressão de setores da extrema direita norte-americana sobre a Casa Branca, em reação a declarações suas sobre o encontro. Até o momento, não há nova data agendada para uma possível reaproximação.
O governo brasileiro, por sua vez, trabalha na formulação de um plano de contingênciapara mitigar os danos dessas tarifas à economia local, medida aguardada com expectativa no ambiente empresarial.
A falta de sinalizações concretas sobre o andamento das negociações infla a percepção de risco nos setores diretamente impactados, como os de siderurgia, agronegócio e manufatura, além de posicionar o tema como um dos principais focos para os próximos dias.
Curva de juros e dinâmica dos ativos locais
Mesmo com a aversão global contida, os ativos brasileiros operaram de forma tímida na segunda-feira. A exceção ficou por conta do mercado de juros futuros, onde os contratos recuaram aos menores patamares desde o endurecimento tarifário promovido pelo governo de Donald Trump.
O movimento foi atribuído à expectativa de que uma inflação doméstica controlada e uma economia desacelerandoconcedam ao Banco Central alguma margem para manter o atual nível de juros, ou eventualmente ajustá-los de forma suave ao longo dos próximos trimestres.
Embora a sessão anterior tenha registrado poucas oscilações no câmbio e na bolsa, a agenda carregada da semana – incluindo também a divulgação de dados de varejo e serviços no Brasil – deve oferecer mais pistas sobre o rumo do ciclo monetário.
Balanços corporativos e atenção ao IOF
Além dos indicadores macroeconômicos, os investidores acompanham a reta final da divulgação dos balanços do segundo trimestre, momento decisivo para avaliar o desempenho de empresas diante dos efeitos da política monetária e das tensões comerciais.
Nesta terça-feira, outro destaque será a participação do ministro Fernando Haddad em audiência pública às 14h30 na Comissão Mista da Medida Provisória 1.303, que trata da compensação do IOF. O tema gera interesse por seu potencial impacto sobre a arrecadação e o planejamento fiscal do governo.
Diante disso, a combinação entre agenda legislativa, resultado corporativo e divulgações econômicas promete ditar o ritmo do mercado nos próximos pregões, com os investidores ainda atentos aos desdobramentos da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
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