Nos últimos dias, investidores globais voltaram as atenções para os dados da economia americana, ao mesmo tempo em que as tarifas prometidas por Donald Trump reacenderam preocupações entre analistas. Em meio a isso, o cenário político brasileiro adiciona novos elementos de cautela aos mercados.
A combinação desses fatores tem impactado o comportamento dos ativos financeiros, com variações tanto na bolsa quanto no câmbio, exigindo mais atenção à leitura de riscos e oportunidades no curto prazo.
O que você vai ler neste artigo:
Indicadores dos EUA influenciam decisões
Indicadores divulgados recentemente nos Estados Unidos estão moldando as expectativas sobre o rumo da política monetária no país. O dado mais aguardado foi o relatório de empregos (payroll), que mostrou sinais de resiliência do mercado de trabalho, mesmo diante da alta dos juros. Na sequência, relatórios sobre inflação e PMI também apontaram uma economia ainda aquecida.
Essa leitura reforça a possibilidade de o Federal Reserve manter os juros elevados por um período mais longo. Como reflexo, o rendimento dos treasuries de 10 anos tem oscilado, impactando diretamente o apetite por ativos de risco em mercados emergentes.
O clima de aversão ao risco ganha força diante da combinação de tremores no cenário político global e dos juros altos nos EUA. Investidores buscam proteção no dólar, que voltou a se valorizar frente a moedas como o real, pressionando mercados locais.
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Retórica protecionista de Trump reacende temores
O ex-presidente Donald Trump, pré-candidato republicano nas eleições de novembro, voltou a defender a imposição de tarifas generalizadas sobre produtos importados, sugerindo uma sobretaxa de 10% de forma ampla. Sua agenda de política externa mais protecionista levanta incertezas no comércio global.
Além disso, Trump também indicou a possibilidade de tarifas de até 60% sobre produtos chineses. Caso volte ao poder, tal postura pode reacender tensões comerciais semelhantes às de 2018-2019, período marcado por instabilidade nas cadeias de suprimento, volatilidade cambial e elevada aversão ao risco por parte dos investidores.
Os mercados globais reagem de forma cautelosa a esse tipo de discurso, pois uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo afeta diretamente países exportadores e os fluxos globais de capitais.
Incertezas políticas no Brasil ganham peso nos preços
Enquanto isso, o ambiente político doméstico também contribui para a volatilidade dos ativos brasileiros. Recentemente, declarações sobre mudanças em metas fiscais por parte do governo federal geraram preocupação nos investidores, que já apontam dúvidas sobre a condução da política econômica.
Ao lado disso, o Congresso tem demonstrado resistência à expansão de gastos, o que gera um impasse entre o Executivo e o Legislativo, pressionando o andamento de pautas econômicas importantes. Essa insegurança institucional amplia a percepção de risco do país, afetando o desempenho do real e a curva de juros.
Outro ponto importante envolve a gestão das estatais, em especial a Petrobras. Interferências na política de dividendos ou trocas repentinas na diretoria da companhia reforçam a sensação de instabilidade e desconfiança entre investidores estrangeiros.
Reação dos ativos e perspectivas
Diante do cenário internacional mais desafiador e das incertezas internas, o Ibovespa tem mostrado perdas recentes e sofre com a saída de capital estrangeiro. Já o dólar opera em patamares superiores a R$ 5,30, enquanto a curva futura de juros voltou a embutir prêmios diante do aumento da percepção de risco.
A tendência, segundo analistas, é de que os mercados sigam sensíveis tanto aos dados econômicos dos EUA quanto aos desdobramentos eleitorais no país. Ao mesmo tempo, qualquer sinal de desalinhamento na condução fiscal brasileira tende a agravar a instabilidade local.
Nesse contexto, investidores buscam maior proteção, favorecendo ativos considerados mais seguros e reduzindo a exposição a mercados emergentes como o Brasil. Enquanto o cenário eleitoral americano se desenha e as pautas internas evoluem, o mês de junho deve seguir marcado por oscilações e movimentos defensivos.
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