O mercado brasileiro iniciou a semana atento aos desdobramentos da economia global, enquanto internamente os dados do Caged ajudavam a compor o cenário econômico nacional. A cautela e a expectativa das decisões monetárias nos EUA se somaram à agenda local relevante.
Nesse ambiente, os analistas passaram a avaliar os impactos da possível flexibilização nos juros norte-americanos e os avanços nas tratativas comerciais. As movimentações nos ativos financeiros refletem esse compasso de espera e de reprecificação.
O que você vai ler neste artigo:
Dados do Caged indicam resiliência no mercado de trabalho
Os números divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, mostraram um saldo positivo na criação de empregos formais em abril. O país registrou a abertura de 240,0 mil vagas, superando as expectativas de boa parte dos economistas.
Esse resultado reafirma a resiliência do mercado de trabalho brasileiro diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador. Setores como serviços, agropecuária e construção civil puxaram os números, evidenciando a força do consumo interno e a demanda por mão de obra qualificada.
A expansão do emprego formal contribui para manter o ritmo do consumo, indispensável para a sustentação do crescimento do PIB. Além disso, esse desempenho impacta diretamente o comportamento dos ativos locais, com investidores observando os desdobramentos da economia real.
Enquanto o mercado monitora de perto a inflação e a política fiscal, a continuidade de geração líquida de empregos tende a ser um fator estabilizador e positivo para o mercado interno, especialmente em um semestre de oscilações.
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Expectativa por corte de juros nos EUA impulsiona otimismo
Após sinais mais brandos nos últimos dados de inflação ao consumidor e ao produtor divulgados nos Estados Unidos, aumentaram as apostas de que o Federal Reserve pode iniciar um ciclo de corte nas taxas de juros ainda em 2024.
A leitura mais branda da inflação reforçou a perspectiva de que o aperto monetário chegou ao limite, com espaço para flexibilizações graduais. O mercado projeta que o afrouxamento monetário americano possa começar já no segundo semestre, o que tende a levar fluxos de capital para mercados emergentes.
Esse cenário, se confirmado, pode beneficiar diretamente os ativos brasileiros, que se tornam mais atrativos diante da taxa de juros real elevada e da estabilidade institucional. A valorização recente do real frente ao dólar também decorre deste contexto.
Entretanto, permanece a cautela quanto à postura do Fed, que pode frustrar as expectativas caso dados futuros mostrem novas pressões inflacionárias. Até lá, os agentes mantêm a correlação dos movimentos locais com a comunicação dos dirigentes do banco central americano.
Perspectiva de acordo comercial entre EUA e China reacende apetite por risco
Outro fator chave para o comportamento dos ativos globais nesta semana foi o avanço das tratativas entre autoridades norte-americanas e chinesas em relação a tarifas comerciais. Após reuniões bilaterais, evoluíram as conversas sobre suspensões ou revisão de tarifas impostas durante os últimos anos.
Essa sinalização trouxe alívio ao mercado, com percepção de menor risco geopolítico e melhora nas previsões para o comércio internacional. Commodities agrícolas e metálicas reagiram positivamente, juntamente com ações de empresas exportadoras.
A possibilidade de uma distensão nas relações sino-americanas anima investidores de países emergentes, que dependem da estabilidade comercial global para sustentar suas exportações. Além disso, pode aliviar pressões inflacionárias, ao reduzir custos operacionais e cadeias logísticas.
Assim, o noticiário externo permanece como componente relevante na precificação dos ativos brasileiros, especialmente ante a sensibilidade às mudanças na percepção de risco e aversão global.
Ativos brasileiros reagem a fatores internos e externos
A Bolsa brasileira oscilou acompanhando a tensão externa e os indicadores locais. O Ibovespa operou com volatilidade, refletindo movimentos de ajuste em empresas ligadas ao ciclo doméstico e exportadoras. O dólar também apresentou leve recuo frente ao real, impulsionado pelas expectativas de fluxos maiores ao Brasil.
Papéis ligados ao setor de consumo e construção reagiram de forma positiva à criação de empregos, enquanto empresas exportadoras foram beneficiadas pela sinalização de menor tensão comercial internacional. Já os juros futuros mostraram estabilidade, com o mercado observando os próximos passos do Banco Central em meio à dinâmica fiscal incerta.
Em resumo, o comportamento dos ativos brasileiros nesta semana foi guiado por uma combinação de fundamentos locais, como os números do Caged, e expectativas externas, como o possível corte nos juros americanos e as negociações comerciais entre as maiores potências.
A convergência entre fatores internos sólidos e a sinalização de afrouxamento das tensões externas pode ser determinante para uma recuperação mais abrangente dos ativos. No entanto, a prudência segue imperando diante das incertezas nos dois frontes.
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