Bolsas europeias sobem com impulso de lucros trimestrais positivos

Os mercados acionários da Europa iniciaram a terça-feira em alta, impulsionados por balanços corporativos que surpreenderam positivamente. Após uma sessão de perdas diante de um acordo comercial controverso com os EUA, os investidores reagiram com otimismo a resultados melhores do que o esperado.

Apesar das tensões ainda latentes em torno das negociações transatlânticas, setores como tecnologia e farmacêutico contribuíram para a recuperação dos índices europeus, destacando a resiliência das empresas mesmo sob pressão geopolítica.

Resultados corporativos sustentam desempenho das bolsas

A retomada do apetite por risco no mercado europeu nesta terça-feira foi liderada pelo bom desempenho de companhias que divulgaram seus lucros trimestrais. O índice pan-europeu Stoxx 600 registrava alta de 0,44%, subindo para 551,18 pontos por volta das 8h30 no horário de Brasília. A performance foi especialmente puxada por ações do setor de saúde e tecnologia, que apresentaram números robustos.

Entre os destaques positivos do dia, a gigante holandesa Philips foi o grande nome da sessão, com valorização de 9,91%. A empresa revisou para baixo sua previsão de impacto tarifário após o recente acordo comercial, o que animou os investidores. Já o grupo franco-italiano EssilorLuxottica viu seus papéis saltarem 6,66% após informar crescimento no lucro operacional do primeiro semestre de 2024, mesmo diante de tarifas adicionais.

Outra companhia que trouxe ânimo ao pregão foi a farmacêutica AstraZeneca, cujas ações avançaram 2,50%. A alta foi motivada por resultados trimestrais consolidados e pelo crescimento das vendas em mercados emergentes, compensando instabilidades em outras regiões.

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Setores apresentam desempenho misto

Embora o clima fosse majoritariamente positivo, nem todos os setores acompanharam a trajetória de ganhos. Um dos maiores destaques negativos foi a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, que afundou 13,99% após anunciar corte em sua projeção de vendas e lucros para o restante do ano. A revisão impactou a confiança dos investidores, especialmente por vir de uma companhia tida como referência de estabilidade no setor.

Outro papel que recuou foi o da montadora Stellantis, com queda de 2,19%, também em reação a uma percepção de que o acordo comercial entre EUA e União Europeia pode favorecer indústrias americanas em detrimento da produção europeia.

Ao mesmo tempo, há uma visão crescente entre analistas de que a União Europeia saiu em posição fragilizada no acordo com os Estados Unidos. Segundo o economista-chefe do IG, Chris Beauchamp, "a Casa Branca utilizou com habilidade sua influência para atrair investimentos e concessões à indústria americana", levantando preocupações sobre o equilíbrio nas relações bilaterais.

Percepções do mercado sobre o acordo comercial

Apesar das altas pontuais nas bolsas, o ambiente geopolítico continua sendo um fator de cautela. A leitura inicial do acordo comercial, assinado recentemente entre EUA e UE, gerou desconfiança nos mercados europeus na véspera, provocando quedas generalizadas. Líderes europeus expressaram abertamente seu descontentamento, criticando os termos e a forma como as concessões foram extraídas.

Especialistas apontam que os EUA garantiram acesso preferencial e vantagens em setores como tecnologia e energia, o que pode pressionar a competitividade de empresas europeias no médio prazo. Essa percepção contaminou o humor inicialmente, mas os resultados corporativos positivos conseguiram, ao menos por hoje, inverter a direção dos índices.

Analistas agora monitoram a reação dos governos europeus e qual será a resposta política aos termos do acordo. Se houver uma tentativa de renegociação ou reforço em medidas protecionistas, a volatilidade poderá retornar aos mercados.

Panorama geral dos principais índices europeus

Com a recuperação parcial no pregão desta terça-feira, as principais bolsas da Europa apresentaram os seguintes desempenhos:

  • DAX (Alemanha): +1,15% (24.245,71 pontos)
  • CAC 40 (França): +1,27% (7.900,31 pontos)
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,63% (9.138,98 pontos)
  • Stoxx 600 (pan-europeu): +0,44% (551,18 pontos)

O avanço segue a tendência de correção após uma segunda-feira marcada pela aversão ao risco. Com a aproximação de decisões importantes de política monetária, como as reuniões do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom), os investidores mantêm atenção redobrada.

Enquanto os resultados corporativos seguem como principal catalisador dos ganhos, o pano de fundo macroeconômico e geopolítico continua a influenciar as estratégias de alocação de ativos na região. O comportamento dos próximos pregões mostrará se esse otimismo se sustentará ou será apenas uma breve trégua.

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