Os principais índices acionários de Wall Street encerraram a terça-feira (29) em queda, pressionados por dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O número de vagas em aberto veio abaixo das expectativas, elevando a cautela dos investidores.
Além disso, cresceu a tensão em torno da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), que será anunciada nesta quarta-feira. Perspectivas sobre o início do ciclo de cortes de juros e dados macroeconômicos adicionais também influenciaram o humor dos investidores.
O que você vai ler neste artigo:
Dados do mercado de trabalho decepcionam
O relatório Jolts (Job Openings and Labor Turnover Survey), divulgado pelo Departamento do Trabalho dos EUA, revelou que o número de vagas de emprego em aberto caiu para 7,4 milhões em junho. O dado veio abaixo das estimativas do mercado, que esperavam algo em torno de 7,6 milhões. Em maio, o número havia sido de 7,7 milhões.
Essa leitura sinaliza um movimento de desaquecimento no mercado de trabalho americano, que até então sustentava expectativas de juros altos por mais tempo por parte do banco central norte-americano. Diante disso, os investidores interpretaram o dado como um possível indicativo de que há espaço para uma política monetária mais branda nos próximos meses.
Com menos vagas disponíveis, aumentam as possibilidades de moderação na pressão salarial e, consequentemente, no núcleo da inflação. No entanto, a percepção imediata no mercado foi de aversão ao risco, com investidores assumindo posições defensivas até que novas sinalizações do Fed sejam conhecidas.
Quer impactar quem entende de finanças?
Divulgue sua marca em um site focado em finanças, investimentos e poder de compra.
Reação dos mercados e desempenho por setor
O impacto sobre os principais índices foi imediato. O Dow Jones recuou 0,46% e fechou aos 44.632,99 pontos. O S&P 500 caiu 0,30%, encerrando o pregão em 6.370,89 pontos, enquanto o Nasdaq teve desvalorização de 0,38%, aos 21.098,29 pontos.
Os setores de saúde e industrial foram os mais penalizados, com quedas de 0,69% e 1,14%, respectivamente. A leitura negativa se espalhou por diversos segmentos, refletindo um movimento de maior prudência diante das incertezas econômicas à frente.
Além dos dados trabalhistas, o recuo nas taxas dos títulos do Tesouro dos EUA — especialmente nos vértices longos — contribuiu para a redução do apetite ao risco. O mercado antecipou que uma menor pressão inflacionária pode reduzir a atratividade dos yields de longo prazo, impactando não só o setor financeiro, como também ações ligadas ao consumo e indústria.
Expectativas para o Federal Reserve
Embora a maioria dos analistas projete a manutenção dos juros na reunião desta quarta-feira, o foco estará voltado para o comunicado da instituição e para a entrevista coletiva do presidente Jerome Powell. Investidores buscam entender se há espaço para cortes ainda em 2024 ou se o banco central manterá sua posição conservadora em relação à inflação.
Há expectativa também quanto à divulgação de outros dados importantes, como a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre e novos indicadores do mercado de trabalho, que deverão ajudar a calibrar as projeções para os próximos passos da autoridade monetária.
Outro ponto de atenção está na sinalização de possíveis dissensos entre os dirigentes do Fed, o que poderia indicar que o consenso sobre o ritmo de afrouxamento monetário ainda não está consolidado no comitê. Em um cenário de inflação ainda resistente, decisões futuras podem depender de informações adicionais que venham com os dados das próximas semanas.
Balanços e tensões geopolíticas adicionam volatilidade
As divulgações dos resultados corporativos de grandes empresas de tecnologia — conhecidas como as “Sete Magníficas” — também contribuíram para um aumento da volatilidade. Investidores procuram indícios da sustentabilidade do forte crescimento recente dessas gigantes diante de um possível ambiente de desaceleração econômica.
Além disso, as relações comerciais entre EUA e China seguem gerando incertezas. A expectativa de uma nova postergação nas tarifas sobre produtos chineses, embora vista como um alívio pontual, não elimina o risco de novos entraves. Esses fatores continuam sendo monitorados de perto pelos mercados.
Combinando as pressões dos dados domésticos, tensões externas e a proximidade de decisões importantes por parte do banco central, o ambiente permanece desafiador para os ativos de risco. A tendência é de continuidade da volatilidade nos próximos dias, dependendo fortemente das comunicações do Fed e dos indicadores macroeconômicos que estão por vir.
Leia também:
- Ações chinesas atingem maior nível desde 2021 com dados comerciais positivos
- Ações do Banco do Brasil despencam 7% com ameaças de sanções
- Ações do banco Inter sobem com recomendação de compra do BTG
- Acordo entre EUA e China impulsiona mercados globais
- Agenda econômica da semana: PIB nos EUA e IPCA-15 no Brasil
- Apple valoriza US$ 180 bilhões após trégua comercial EUA-China
- Ata do Copom e inflação dos EUA movimentam mercados hoje
- Ata do Copom, prisão de Bolsonaro e dados dos EUA influenciam mercados