Agenda econômica da semana: PIB nos EUA e IPCA-15 no Brasil

Nas próximas sessões de mercado, investidores estarão atentos a dados fundamentais para balizar projeções econômicas. Indicadores dos Estados Unidos e do Brasil prometem movimentar os preços e influenciar decisões de política monetária.

O foco recai sobre o Produto Interno Bruto e o índice de inflação norte-americanos, enquanto no conjunto doméstico, o IPCA-15 e as estatísticas do setor externo ganham espaço nas análises.

Indicadores dos EUA: PIB e inflação em destaque

Nos Estados Unidos, a divulgação do PIB do primeiro trimestre deve trazer novas perspectivas sobre o ritmo da maior economia global. Analistas esperam um crescimento ligeiramente abaixo do anterior, o que pode reforçar apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve no segundo semestre. A expectativa é de que a leitura final confirme a desaceleração em meio à política monetária restritiva ainda aplicada pelo banco central americano.

Além disso, os olhares se voltam ao índice de preços de gastos com consumo (PCE), métrica de inflação preferida pelo Fed. Caso haja surpresas maiores na alta dos preços, o cenário de cortes de juros pode ser adiado, trazendo impactos diretos nos mercados acionários e nos títulos do Tesouro. A combinação entre crescimento mais moderado e inflação persistente continua pressionando as escolhas futuras da autoridade monetária.

Outro ponto relevante é o comportamento do mercado de trabalho, e pedidos iniciais de auxílio-desemprego também devem ser monitorados. Juntos, esses dados ajudarão a definir a expectativa futura para os juros e o dólar.

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Brasil: IPCA-15 e setor externo no radar

Na economia brasileira, o IPCA-15 de junho surge como termômetro essencial para avaliar o nível atual de inflação e suas implicações para a condução da política de juros pelo Banco Central. A prévia da inflação oficial deverá indicar se o atual ciclo de flexibilização monetária, interrompido temporariamente na reunião anterior do Copom, voltará a ser retomado.

O desempenho de itens como alimentos e combustíveis poderá pesar no resultado do IPCA-15. Caso a leitura venha abaixo do esperado, pode alimentar expectativas de possível retomada dos cortes da Selic até o fim do ano. Por outro lado, uma surpresa para cima tende a reforçar o discurso mais cauteloso adotado pela autoridade monetária.

No campo externo, dados sobre balança comercial e transações correntes serão observados com atenção. Com o real sob pressão e o fluxo cambial volátil, essa leitura ajudará a entender mais profundamente o comportamento da conta capital e financeira, além de indicar a sustentabilidade das contas externas brasileiras.

Reação dos mercados e perspectivas

No cenário doméstico, o mercado também seguirá de perto as falas de membros do Banco Central, principalmente após a recente decisão de manter os juros inalterados. Discursos posteriores podem fornecer pistas sobre o posicionamento da autoridade monetária quanto aos próximos passos da política de juros diante do novo cenário político-econômico.

Já nos mercados internacionais, a curva de juros americana pode sofrer ajustes pontuais conforme o resultado dos dados macroeconômicos apresentados. Oscilações nos rendimentos dos títulos públicos nos EUA (Treasuries), moeda americana e ações de tecnologia serão termômetro da percepção de risco global.

Ao mesmo tempo, as bolsas globais podem mostrar reações distintas, refletindo tanto os dados macroeconômicos quanto as expectativas em torno das eleições americanas e seus possíveis desdobramentos sobre a condução da economia do país.

Expectativas econômicas se moldam aos indicadores

Com uma série de divulgações-chave concentradas em poucos dias, o mercado financeiro deve operar de maneira mais volátil, reagindo rapidamente aos números divulgados. A leitura conjunta do desempenho econômico interno e externo ajudará investidores, analistas e formuladores de política a refinar suas projeções para os próximos trimestres.

A depender da direção dos dados, investidores devem ajustar posições em câmbio, juros e ações, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Esse conjunto estatístico, por sua relevância, pode ser decisivo para as movimentações nas próximas reuniões dos respectivos bancos centrais.

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