As ações chinesas avançaram pelo quarto dia consecutivo nesta quinta-feira, impulsionadas por dados de exportação que superaram as expectativas. O movimento elevou o índice Xangai Composto ao maior patamar em três anos e meio, apesar da retórica tarifária vinda dos Estados Unidos.
O sentimento de mercado seguiu positivo, respaldado por uma recuperação comercial sustentada e expectativas otimistas em torno das negociações com Washington. A reação relativamente contida aos comentários de Donald Trump sugere confiança em uma resolução pacífica dos conflitos tarifários.
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Desempenho dos principais índices
O índice Xangai Composto encerrou o pregão com alta de 0,2%, atingindo 3.639,67 pontos, menor nível desde dezembro de 2021. O CSI300, que agrega as maiores blue chips, variou pouco, encerrando o dia praticamente estável, sinalizando uma pausa após o recente rali.
Já em Hong Kong, o índice Hang Seng reverteu as perdas da manhã e registrou valorização de 0,7%, enquanto o subíndice de tecnologia teve leve alta de 0,3%. Em Tóquio, o Nikkei 225 também operou com viés positivo, encerrando com avanço de 0,65%, e o sul-coreano Kospi subiu 0,92%.
Esse clima positivo se espalhou pela região do leste asiático, refletindo um alívio diante das tensões comerciais e o fortalecimento da demanda externa por produtos chineses.
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Exportações surpreendem analistas
Segundo dados alfandegários divulgados nesta manhã, as exportações chinesas cresceram 7,2% em julho na comparação anual, superando confortavelmente as estimativas do mercado. O número reforça a eficácia das estratégias comerciais diante das incertezas geopolíticas e da política tarifária norte-americana.
Esse desempenho ocorreu em meio a uma trégua tarifária ainda em vigor entre Pequim e Washington, permitindo que os exportadores chineses maximizassem embarques antes de uma possível retomada das tarifas.
Apesar das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mencionou a possibilidade de sancionar a China com tarifas semelhantes às impostas sobre importações de chips e petróleo indiano, os mercados asiáticos mantiveram a calma. Para investidores, o foco está voltado ao possível acordo até o prazo de 12 de agosto.
Destaques setoriais e movimento das ações
Dentre os destaques do pregão, o setor de terras raras se destacou com avanço de 3,2%, aproximando-se de seu pico de três anos. O setor bancário também teve desempenho positivo, registrando alta de 0,4%, seguindo gráficos técnicos e projeções de maior liquidez.
Os papéis ligados ao setor energético avançaram 0,8%, enquanto os semicondutores, após abrirem em alta, fecharam praticamente estáveis. Isso ocorreu após Trump ameaçar uma tarifa de até 100% sobre certos produtos da indústria de chips, o que injetou um clima de cautela nesse segmento específico.
No setor imobiliário, incorporadoras listadas em Hong Kong tiveram uma recuperação com alta de 2,5%. A New World Development teve valorização expressiva de até 20% em meio a especulações de que a companhia poderia ser retirada da bolsa e tornar-se privada.
Perspectivas para as próximas semanas
Para os analistas ouvidos pela imprensa econômica, o movimento de alta ainda está em curso, refletindo principalmente o alívio temporário nas tensões sino-americanas. A Pacific Securities destacou em relatório que os fatores técnicos ainda sustentam o momento otimista, enquanto os investidores acompanham de perto o prazo limite de 12 de agosto para avanços nas negociações comerciais.
Com os dados de exportações superando expectativas e a recuperação de setores-chave da economia chinesa, a confiança nos ativos da região parece momentaneamente restaurada. Contudo, qualquer mudança na retórica entre as duas maiores economias do mundo pode gerar volatilidade nos mercados asiáticos.
A trajetória dos ativos chineses nos próximos dias, portanto, dependerá tanto do progresso diplomático quanto da manutenção do fluxo comercial positivo, que tem sido um dos principais motores da recuperação recente.
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