BC do Chile reduz taxa básica de juros para 4,75%

O Banco Central do Chile optou por retomar o ciclo de cortes na taxa básica de juros com uma redução de 0,25 ponto percentual. A medida levou a taxa para 4,75% ao ano e confirma uma política mais flexível diante do atual cenário econômico do país.

A decisão foi tomada de forma unânime e era amplamente aguardada pelo mercado, principalmente após a divulgação da inflação negativa em junho. O foco passa a ser o caminho da inflação em direção à meta de 3% ao ano.

Decisão do banco central e os antecedentes econômicos

A redução dos juros em 0,25 ponto percentual marca um novo capítulo no ciclo de ajuste da política monetária conduzida pelo BCCh. Com essa decisão, os dirigentes reforçaram o compromisso com a convergência da inflação para a meta de 3% no horizonte de dois anos. O corte sinaliza que a autoridade monetária avalia que as condições econômicas permitem um afrouxamento das taxas, mesmo diante da inflação subjacente acima do previsto.

O corte dos juros ocorre em um contexto de desaceleração dos preços, como demonstrado pela deflação de 0,4% registrada em junho. Com isso, o índice de preços ao consumidor avançou 4,1% em 12 meses, abaixo do observado nos meses anteriores. A inflação subjacente, que exclui itens mais voláteis, ficou estável no mês e acumulou alta de 3,8% em 12 meses, superando as expectativas de mercado.

O BCCh destacou que as expectativas de inflação a dois anos permanecem ancoradas em 3%, o que corrobora a margem existente para manter uma política mais flexível nos próximos trimestres. Entretanto, a permanência de alguns componentes inflacionários pressionados foi considerada no momento da decisão.

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Perspectivas para a política monetária

De acordo com o comunicado divulgado, a projeção do banco central é que a taxa de juros continue se ajustando até que se aproxime do nível neutro. Esse nível é definido como aquele que nem incentiva, nem contrai a atividade econômica — uma taxa em equilíbrio. A continuidade das reduções dependerá do comportamento dos preços e da atividade econômica.

A autoridade monetária também deixou claro que a condução da política seguirá sendo feita com flexibilidade, sempre considerando a convergência da inflação e a estabilidade macroeconômica. Com isso, qualquer nova decisão dependerá da evolução dos dados econômicos, como os de crescimento, emprego e, principalmente, inflação.

Ainda que a inflação geral tenha registrado queda, a estabilidade da inflação subjacente e sua leitura acima do esperado mantêm parte da cautela do comitê. Avaliar a trajetória da política fiscal, os preços internacionais e as condições externas será essencial nas próximas decisões.

Repercussão no mercado e expectativas dos analistas

A reação dos mercados à decisão do BCCh foi contida, já que o corte de 0,25 ponto percentual era amplamente antecipado. Os ativos chilenos operaram sem fortes oscilações, e o peso chileno teve leve variação frente ao dólar, mantendo-se próximo aos níveis anteriores ao anúncio.

Entre os analistas, a percepção é de que o ciclo de afrouxamento poderá seguir nos próximos trimestres, mas com ritmo dependente do comportamento da inflação subjacente e da recuperação econômica. Muitos especialistas acreditam que o banco pode reduzir os juros até um patamar abaixo de 4%, caso os indicadores sigam mostrando desaceleração.

Por outro lado, o comportamento dos preços de commodities e os impactos da atividade global poderão representar riscos. Qualquer pressão vinda do mercado internacional ou de uma recuperação mais rápida da economia chilena pode alterar os planos do banco e tornar o ritmo de cortes mais lento ou até suspender novas reduções.

Impactos esperados na economia chilena

A manutenção de um ciclo gradual de corte nos juros tende a favorecer a atividade econômica no Chile, principalmente nos setores mais sensíveis ao crédito. Com o custo do dinheiro mais baixo, espera-se estímulo ao consumo das famílias e aos investimentos das empresas.

Além disso, o alívio monetário contribui para reduzir os encargos das dívidas e melhora as condições financeiras para a recuperação pós-pandemia e diante de incertezas globais. No entanto, o banco central seguirá atento ao risco de reaceleração inflacionária, o que requer monitoramento constante.

A conjuntura atual mostra uma inflação ainda acima da meta, mas em trajetória de queda. Esse equilíbrio entre estímulo e responsabilidade será fundamental para garantir que a economia retome o crescimento de forma sustentável, sem comprometer a estabilidade dos preços.

Considerações finais

Com essa nova redução na taxa básica de juros, o Banco Central do Chile confirma sua postura mais moderada diante dos sinais de desaceleração da inflação. O movimento reforça o compromisso da autoridade monetária com um ajuste gradual e bem calibrado, respeitando o atual ambiente macroeconômico.

A expectativa agora se volta para as próximas reuniões e para a capacidade do banco em equilibrar os estímulos à economia com o controle da inflação, mantendo a meta de 3% no horizonte. A condução flexível, mas prudente da política monetária, será determinante para o sucesso desse processo.

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