Nubank e Brubank: negociações não avançaram

A possível entrada do Nubank no mercado financeiro argentino voltou a chamar atenção recentemente após informações sobre uma negociação com o Brubank. A aquisição, no entanto, não se concretizou, trazendo novas especulações sobre os futuros passos da fintech brasileira.

Embora o Nubank evite comentar rumores, declarações públicas indicam que a empresa enxerga com atenção o cenário econômico argentino sob a liderança de Javier Milei.

Tentativa de aquisição do Brubank

A fintech brasileira teria negociado, há alguns meses, a compra do Brubank, banco digital fundado em 2018 pelos empresários Juan Bruchou, Diego Pando e Pablo Sánchez. Com cerca de 4 milhões de clientes na Argentina, o Brubank é um dos principais players do segmento digital no país. Conforme informações obtidas pelo Valor Econômico, o interesse do Nubank estaria alinhado à sua estratégia de expansão internacional.

Segundo o portal argentino iProUp, a negociação envolveu tanto a possibilidade de uma compra total quanto parcial do Brubank. Caso o acordo tivesse avançado, representaria o retorno do Nubank ao país vizinho, onde operou brevemente em 2019 por meio de um escritório em Buenos Aires — fechado poucos meses depois devido à instabilidade econômica.

Apesar dos rumores, nenhuma das partes envolvidas na possível transação confirmou oficialmente as conversas. Ao ser procurado, o Nubank declarou que “não comenta rumores ou especulações”, reforçando seu compromisso com uma comunicação responsável. O Brubank, por sua vez, não se manifestou até a publicação da reportagem.

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Estratégia regional e o interesse renovado

A Argentina pode voltar ao radar do Nubank, especialmente diante das recentes mudanças econômicas e políticas promovidas pelo presidente Javier Milei. Em outubro de 2024, David Vélez, CEO e fundador do Nubank, afirmou publicamente que acompanha de perto os desdobramentos no país. Ele comentou que “é impossível ignorar o que Milei está fazendo” e que decisões sobre atuação no país poderiam ser tomadas ao longo de 12 a 24 meses.

O movimento está dentro da estratégia da fintech de reforçar sua presença regional. O relatório do BTG Pactual sobre o tema reforça que a internacionalização é um dos pilares de crescimento do Nubank. Caso a fintech brasileira concretize a aquisição de uma instituição financeira no país, ganharia acesso a licenças locais, base de clientes já consolidada e infraestruturas como sistemas de pagamento, crédito e fundos.

Essa estrutura permitiria ao Nubank acelerar sua entrada no ecossistema financeiro argentino, ampliando sua competitividade frente aos principais concorrentes — especialmente o Mercado Pago, forte no país, e o britânico Revolut, que avança em sua expansão na região.

Rivalidade internacional: exemplo da chegada do Revolut

A concorrência também tem atualizado seus movimentos. O exemplo mais marcante é o do Revolut, considerado um dos principais rivais globais do Nubank. A startup britânica anunciou, em junho de 2025, a aquisição do Cetelem, unidade do BNP Paribas na Argentina.

O negócio foi acompanhado da nomeação de Agustín Danza como CEO do Revolut no país. Danza tem longa experiência no setor: já foi diretor do banco digital do Mercado Pago para a América Latina e também atuou como diretor de Operações no próprio Nubank.

Com a estrutura adquirida do Cetelem e uma liderança experiente no comando local, o Revolut deve solidificar sua base na Argentina com rapidez. A comparação vem sendo feita por analistas do setor, que veem nesse movimento um possível alerta estratégico para o Nubank.

Implicações e próximos passos

Embora a negociação com o Brubank não tenha avançado, a movimentação reafirma o interesse do Nubank em expandir sua atuação na América Latina. Mesmo não se concretizando, a tentativa ilustra o monitoramento contínuo da fintech sobre o ambiente financeiro da região.

A possibilidade de retomar operações na Argentina dependerá não apenas de oportunidades de aquisição, mas também da estabilidade legal e macroeconômica que o país oferecerá nos próximos meses. Dado o histórico recente de retrações nas operações regionais, é provável que o Nubank avance com cautela.

Resta acompanhar os desdobramentos, principalmente frente ao ritmo agressivo de expansão de concorrentes como o Revolut e à crescente digitalização do setor bancário argentino. Seja por aquisição ou estratégia própria, a reentrada do Nubank no mercado local parece uma questão de tempo e estratégia — não de ausência de interesse.

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