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Campos Neto avalia limites para queda de juros no Brasil

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Campos Neto avalia limites para queda de juros no Brasil — Roberto Campos Neto avalia que juros podem cair no curto prazo, mas ressalta entraves fiscais para uma redução estrutural.

O cenário macroeconômico atual abre espaço para alguma flexibilização da política monetária no curto prazo. No entanto, a expectativa de uma redução mais intensa e duradoura da taxa de juros ainda encontra forte resistência nas limitações estruturais do país.

Segundo Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central e atual vice-chairman global do Nubank, a manutenção de um juro elevado reflete a falta de confiança nas contas públicas e a dificuldade de realizar reformas estruturais de impacto.

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Perspectiva de curto prazo para os juros

Durante evento promovido pelo Esfera em São Paulo, Campos Neto destacou que o Brasil pode ter cortes pontuais na taxa básica de juros. Ele acredita que, mesmo com certo alívio no cenário inflacionário e um ciclo de queda moderada da Selic, dificilmente o país atingirá níveis muito abaixo dos atuais.

Conforme projetado pelo executivo, com as condições fiscais e o nível de incerteza de hoje, a taxa de juros poderá recuar para algo em torno de 12% a 13%. Abaixo disso, segundo ele, seria uma previsão otimista demais. Essa avaliação indica que o Banco Central tem margem limitada para continuar com cortes agressivos se não houver uma melhora estrutural mais robusta.

Campos Neto também chamou atenção para episódios passados no Brasil em que os juros caíram pontualmente, mas a curva longa — que reflete a expectativa futura do mercado — subiu, o que frustrou ciclos mais intensos de flexibilização monetária. Nessas situações, os juros voltaram a subir, encerrando os ciclos em níveis mais altos do que quando começaram.

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Obstáculos fiscais à queda sustentável dos juros

O principal entrave identificado por Campos Neto está na questão fiscal. Ele criticou o atual arcabouço fiscal implementado pelo governo, afirmando que o modelo é confuso e não gera segurança necessária para investidores, especialmente os estrangeiros. Em sua visão, o mercado olha menos para as normas em si e mais para a trajetória da dívida pública.

Nas palavras dele, é possível alguma melhoria marginal no atual modelo fiscal. Contudo, mesmo com ajustes, a dívida continuará crescendo em ritmo preocupante, impedindo um recuo sustentado dos juros. Para o ex-presidente do Banco Central, esse comportamento frustra expectativas e limita as ações de afrouxamento da política monetária.

De forma mais clara, ele afirmou que apenas um choque de credibilidade fiscal real — com reformas profundas que alterem estruturalmente as contas públicas — poderia permitir uma nova ancoragem da política monetária em patamares mais baixos.

Confiança como pilar para juro estruturalmente menor

A confiança do investidor, especialmente o estrangeiro, é item central na avaliação de Campos Neto. Segundo o executivo do Nubank, o Brasil precisa apresentar maior previsibilidade nas decisões fiscais e reforçar a credibilidade das metas de gasto e das diretrizes orçamentárias.

Ele destacou que países que conseguiram sustentar taxas de juros mais baixas apresentam não só responsabilidade fiscal, mas também instituições robustas e consistência no discurso político-econômico. Nesse contexto, Campos Neto acredita que sem uma mudança nessa direção, o país continuará preso a um círculo vicioso de juros altos.

Para ele, reverter essa desconfiança exigiria medidas incisivas e claras de controle de gastos, além de uma sinalização forte de que o país está comprometido com uma trajetória sustentável da dívida pública.

Histórico frustra ciclos de corte

Campos Neto lembrou que o Brasil viveu cerca de 15 a 16 episódios em que o Banco Central reduziu juros enquanto, ao mesmo tempo, a curva longa de juros subia. Essa dinâmica revela que, na prática, o mercado não comprou a ideia de um juro estruturalmente mais baixo — o que mostra descompasso entre política monetária e percepção fiscal de longo prazo.

Esse movimento repetido indica que o corte de juros acaba sendo revertido quando o governo não demonstra capacidade de sustentar a estabilidade da dívida. Esse padrão prejudica o investimento, encarece o crédito e alimenta a volatilidade.

Em suma, o discurso de Campos Neto sinaliza o quão intricado é o processo de redução dos juros no Brasil. Ainda que medidas pontuais permitam alguma flexibilização, apenas uma mudança estrutural sólida no campo fiscal poderia criar o ambiente necessário para juros realmente mais baixos e sustentáveis.

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