O Nubank atingiu um marco expressivo ao empatar momentaneamente com o Banco do Brasil em lucro líquido, refletindo sua escalada no mercado financeiro. A comparação se baseia em dados do segundo trimestre, destacando um cenário de avanços relevantes na rentabilidade das fintechs.
Apesar da disparidade histórica entre instituições tradicionais e digitais, o banco digital mostra potencial para competir em igualdade com nomes consolidados. No entanto, os resultados devem ser interpretados com cautela, considerando particularidades envolvidas em cada balanço.
O que você vai ler neste artigo:
Comparativo dos resultados financeiros
No segundo trimestre de 2023, o Nubank reportou lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, mesmo valor registrado pelo Banco do Brasil no mesmo período conforme base divulgada até então. Embora os números indiquem uma equivalência, vale ressaltar que os critérios contábeis usados por cada instituição influenciam diretamente na leitura dos resultados. O Nubank divulga seu desempenho em padrão internacional (IFRS), enquanto o Banco do Brasil utiliza o padrão brasileiro (CPC).
Essa aparente igualdade foi pontual. Nos trimestres seguintes, o BB voltou a reportar lucros bem superiores. Ainda assim, o acontecimento revelou mudanças estruturais no mercado e destacou o crescimento sustentável do Nubank, que sai da lógica de forte expansão e prejuízos constantes para consolidar ganhos.
Por outro lado, o BB, mesmo frente a um cenário macroeconômico desafiador, sustentou boas margens ao manter sua carteira de crédito equilibrada e ampliar receitas com serviços. A solidez do banco estatal ainda se respalda por décadas de base de clientes e rede física estruturada.
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Estratégias distintas de crescimento
O Nubank aposta em tecnologia e alto índice de digitalização para escalar operações a baixo custo. Com mais de 80 milhões de clientes na América Latina, sua expansão ocorre sobre pilares como experiência do usuário, agilidade nos serviços e um portfólio diversificado, que inclui desde cartões de crédito até empréstimos e investimentos. Esse modelo permitiu aumento expressivo na carteira de crédito, embora ainda sob riscos concentrados em crédito pessoal e rotativo.
Já o Banco do Brasil mantém modelo tradicional, com um portfólio robusto apoiado em crédito agrícola, financiamentos e relacionamento com o setor público. Sua base de clientes é madura, e sua atuação vai desde o varejo até o atacado bancário, com performance consistente em linhas de crédito, seguros e previdência.
Ambas instituições apostam em inovação — o BB desenvolve plataformas digitais e acelera a transformação tecnológica, porém de forma gradual, enquanto o Nubank inova de forma mais disruptiva.
Indicadores e fundamentos
No segundo trimestre, o Nubank superou expectativas do mercado e atingiu retorno sobre patrimônio líquido (ROE) ajustado de aproximadamente 21%, marca que o insere entre os mais rentáveis do setor. O crescimento da receita líquida operacional acima de 60% também chamou atenção de analistas.
No mesmo período, o Banco do Brasil teve ROE na casa dos 21,1%, mantido graças ao bom controle de inadimplência e operações eficientes no crédito agrícola e corporativo. O volume de ativos do BB, entretanto, supera amplamente o do Nubank — cerca de R$ 2 trilhões ante menos de R$ 200 bilhões da fintech, evidenciando ainda a diferença de escala entre os dois.
Apesar disso, o Nubank atingiu marcas inéditas, como a superação do Itaú e Bradesco em número de clientes ativos com cartão de crédito usado mensalmente. Isso mostra sua capacidade de engajamento e penetração em novos mercados de consumo.
Tendências do setor financeiro
O movimento observado reflete não apenas uma ascensão pontual do Nubank, mas também uma mudança no comportamento do sistema bancário nacional. O crescimento de instituições digitais pressiona por mais eficiência nas tradicionais, acirrando a competição por clientes, principalmente entre jovens e pequenos empreendedores.
Além disso, o avanço regulatório em temas como pagamentos instantâneos, open finance e inteligência artificial tem redesenhado o ambiente bancário. Bancos digitais saem na frente pela agilidade de adaptação, mas instituições tradicionais têm fôlego e capital para investir pesado em inovações.
Em paralelo, o ciclo de juros elevado exige cautela na concessão de crédito, o que pode impactar os resultados dos próximos trimestres. Esse cenário reforça a importância de manter modelos de negócio sustentáveis, com crescimento responsável da carteira de crédito, controle da inadimplência e diversificação das fontes de receita.
Se por um lado o Nubank impressiona na velocidade de crescimento e inovação, o Banco do Brasil representa a consistência e a estabilidade de um banco centenário. A igualdade no lucro líquido foi circunstancial, mas ilustra bem a transformação em curso no setor financeiro brasileiro.
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