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Riscos fiscais lideram preocupações sobre estabilidade financeira no Brasil

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Riscos fiscais lideram preocupações sobre estabilidade financeira no Brasil — Pesquisa do BC aponta riscos fiscais como destaque para estabilidade financeira, superando cenário internacional no Brasil.

O cenário econômico brasileiro tem sido monitorado de perto por instituições financeiras, que, em nova pesquisa do Banco Central (BC), apontam os riscos fiscais como a maior preocupação para os próximos anos. A evolução dessa percepção reflete mudanças na conjuntura interna que têm afetado a confiança no equilíbrio financeiro do país.

A Pesquisa de Estabilidade Financeira (PEF), referente ao terceiro trimestre de 2025, mostra que a preocupação com a sustentabilidade da dívida pública ultrapassou os fatores externos como principal ameaça à estabilidade.

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Riscos fiscais lideram preocupações do mercado

A nova edição da PEF revelou que 38% das instituições citam os riscos fiscais entre os três principais fatores que podem impactar a estabilidade nos próximos três anos. Esse percentual representa uma alta significativa em relação aos 30% registrados no trimestre anterior. A definição de risco fiscal, segundo o BC, inclui tanto a sustentabilidade da dívida pública quanto os reflexos da política fiscal sobre a condução da política monetária.

Essa retomada das preocupações com o ambiente fiscal ocorre em um momento de incerteza quanto à capacidade do governo de cumprir as metas de resultado primário e de contenção de gastos. A credibilidade fiscal é considerada essencial para a ancoragem das expectativas de inflação, afetando diretamente decisões sobre a taxa básica de juros.

Além disso, o alto endividamento do setor público e as recentes alterações no arcabouço fiscal aprofunda o debate sobre o compromisso do país com a responsabilidade fiscal. Nesse cenário, cresce o temor de que debilidades estruturais e políticas populistas comprometam o ritmo de crescimento da economia.

O aumento da percepção de risco fiscal também eleva a aversão das instituições financeiras a ativos brasileiros, acentuando a volatilidade de preços e pressionando o custo do crédito. Dessa forma, ainda que o índice geral de confiança no sistema financeiro permaneça elevado, a mudança nos vetores de preocupação revela uma deterioração importante no quadro doméstico.

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Cenário internacional perde espaço entre as principais ameaças

Em contraste com o movimento observado nos riscos internos, o cenário externo perdeu força entre as ameaças mais citadas. Apenas 30% das instituições financeiras incluíram questões internacionais entre os três fatores mais relevantes, uma queda frente aos 39% do levantamento anterior.

Essa diminuição reflete um arrefecimento das tensões globais, especialmente em relação às medidas tarifárias dos Estados Unidos. Apesar da persistência de incertezas geopolíticas e da desaceleração de grandes economias, o impacto potencial sobre o Brasil tem sido relativizado diante da crescente relevância dos problemas fiscais domésticos.

Outro componente que explica o recuo do peso do cenário externo está relacionado à capacidade dos bancos brasileiros de absorver choques internacionais. A solidez do sistema bancário, aliada ao nível elevado de reservas internacionais, contribui para mitigar riscos associados a escaladas nos juros globais ou a choques cambiais.

Isso não significa, no entanto, que o ambiente global seja isento de ameaças. A reconfiguração das cadeias produtivas, a evolução da inflação nos países centrais e a imprevisibilidade da política monetária norte-americana seguem como pontos de atenção, porém com menor potencial de desestabilização, segundo o levantamento.

Outras ameaças sobre a mesa: inadimplência e riscos operacionais

Além do foco nos riscos fiscais e no cenário externo, a Pesquisa de Estabilidade Financeira mostrou um crescimento na preocupação com inadimplência e atividade econômica. Essa categoria foi citada por 16% das instituições, acima dos 12% do trimestre anterior, sinalizando um alerta para o endividamento elevado e a possível deterioração da capacidade de pagamento de famílias e empresas.

Com a taxa de juros ainda em níveis historicamente altos, o custo do crédito segue pressionando o orçamento dos agentes econômicos. Esse ambiente de aperto monetário prejudica o consumo e o investimento, o que pode limitar a retomada da atividade.

Outra preocupação crescente são os riscos operacionais, especialmente os relacionados à segurança cibernética. A digitalização acelerada do sistema financeiro, com destaque para a ampliação dos serviços digitais e das fintechs, aumentou a exposição a ataques cibernéticos. O BC chama atenção para a importância de reforçar a resiliência das instituições diante dessa nova realidade tecnológica.

Instituições também demonstraram maior cautela para assumir riscos financeiros, reflexo direto do elevado nível de alavancagem observado tanto nas empresas quanto nas famílias. Isso tem gerado impactos sobre a oferta de crédito e sobre a disposição ao investimento, com efeitos potenciais sobre o crescimento econômico.

Avaliações sobre preços de ativos e confiança no sistema

A percepção de que os preços de ativos estão descolados dos fundamentos econômicos também perdeu força, embora ainda seja dominante. Grande parte dos agentes de mercado acredita que empresas, imóveis e títulos públicos precificam uma realidade otimista, possivelmente desatualizada, em relação ao ambiente econômico atual.

No entanto, o percentual de instituições com essa visão caiu, o que sugere um ajuste ou acomodação do mercado em relação a uma nova leitura de expectativas. Isso pode estar relacionado ao maior realismo dos agentes diante dos riscos internos e do crescimento econômico mais lento.

Apesar das preocupações maiores com o risco fiscal e operacional, o índice de confiança geral das instituições financeiras no Sistema Financeiro Nacional permaneceu elevado e estável. Esse resultado reflete uma visão positiva sobre a solidez do sistema, sua capacidade de absorver choques e a regulamentação prudencial em vigor.

Em resumo, embora o sistema financeiro brasileiro continue sendo considerado robusto, o foco de risco mudou do cenário externo para os desafios internos, em especial aqueles ligados à sustentabilidade fiscal. Isso indica que políticas públicas mais consistentes e previsíveis terão papel central na manutenção da confiança e da estabilidade financeira nos próximos trimestres.

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