Em julho, o programa Tesouro Direto registrou uma emissão líquida de R$ 3,68 bilhões, impulsionado pela maior procura por títulos atrelados à inflação e prefixados. Essa é uma das maiores captações mensais do ano, indicando uma forte demanda dos investidores.
O cenário de juros elevados e inflação em moderação aumentou o apetite por papéis com retornos reais, especialmente diante da expectativa de queda da taxa Selic nos próximos meses.
O que você vai ler neste artigo:
Destaques da emissão no mês
Segundo dados do Tesouro Nacional, o volume total de vendas do Tesouro Direto foi de R$ 5,74 bilhões em julho, enquanto os resgates somaram R$ 2,06 bilhões. Esse resultado gerou um volume líquido de R$ 3,68 bilhões, refletindo o saldo entre títulos vendidos e os resgatados no período.
Do total de compras, mais da metade (53,9%) foi direcionada aos títulos Tesouro IPCA+, cuja rentabilidade é corrigida pela inflação. Os papéis com taxas prefixadas representaram 25,7% das vendas, enquanto os atrelados à taxa Selic corresponderam a 20,4%.
Além disso, o estoque total do programa chegou a R$ 127,1 bilhões ao fim de julho, uma elevação frente aos R$ 123,8 bilhões registrados no mês anterior.
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Perfil dos investidores
No mês analisado, o Tesouro Direto contabilizou 909.314 novas operações de investimento — a maioria realizada por pequenos poupadores, especialmente na faixa de até R$ 5 mil por aplicação. As aplicações de menor valor representaram 76,6% do total.
O número de investidores cadastrados no programa continua em tendência de crescimento. Em julho, foram adicionados 545 mil novos participantes, elevando o total acumulado para mais de 26,5 milhões de pessoas físicas.
Entre os perfis mais ativos estão aqueles com idades entre 25 e 39 anos, que seguem buscando diversificação e proteção frente às oscilações do mercado, diante de um cenário de incertezas tanto no Brasil quanto no exterior.
Títulos mais procurados
A preferência por títulos que oferecem proteção contra a inflação continuou se destacando. O Tesouro IPCA+, que paga uma taxa fixa mais a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), respondeu pela maior parte da demanda, sinalizando que os investidores buscam preservar o poder de compra.
Entre os motivos que explicam esse comportamento, destacam-se:
- Preocupações com o impacto da inflação no longo prazo
- Busca por retornos reais positivos, independentemente da política monetária
- Volatilidade nos mercados de renda variável, que tornaram os títulos do Tesouro uma alternativa mais segura
Já os títulos prefixados tiveram desempenho expressivo com o Tesouro Prefixado 2029, refletindo apostas de que os juros permanecerão em queda, o que valoriza os papéis adquiridos a taxas mais altas no presente.
Perspectivas para os próximos meses
Com a tendência de cortes na taxa Selic, esperada para os próximos comunicados do Comitê de Política Monetária (Copom), os investidores podem migrar ainda mais para ativos prefixados e ligados à inflação. Esse movimento antecipa a expectativa de que os retornos dos pós-fixados, como o Tesouro Selic, se tornem menos atrativos.
As próximas emissões podem continuar refletindo o interesse por combinar rentabilidade e segurança, principalmente entre investidores iniciantes que veem no Tesouro Direto um ponto de entrada no mercado de renda fixa. Além disso, a plataforma segue com papel relevante na democratização do acesso ao mercado de títulos públicos.
Se mantida a tendência atual, é possível que o estoque do Tesouro Direto atinja um novo recorde até o fim do ano, consolidando-se como um dos principais instrumentos de investimento dos brasileiros.
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