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Impactos econômicos: emergentes, Fed e cenário internacional

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Impactos econômicos: emergentes, Fed e cenário internacional — Os mercados acompanham discursos do Fed, guerra na Ucrânia e tensão diplomática entre Brasil e EUA, afetando ativos locais.

O mercado financeiro amanheceu sob influência de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, além de monitorar falas de autoridades do Federal Reserve e os desdobramentos da guerra na Ucrânia. Sem grandes indicadores econômicos programados, o foco do investidor está nas decisões políticas e suas repercussões.

Com as bolsas europeias operando em alta, o dólar voltou a superar R$ 5,40, refletindo aumento no prêmio de risco local. Investidores projetam uma terça-feira de alta volatilidade nos mercados domésticos.

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Tensão diplomática afeta o cenário local

A decisão do ministro do STF Flávio Dino, que afirmou que leis e ordens judiciais estrangeiras não têm efeito automático no Brasil, provocou reações imediatas do governo americano. Washington classificou a medida como um desrespeito às sanções aplicadas pelos EUA, especialmente no caso da Lei Magnitsky, voltada a penalizar violações de direitos humanos.

Esse embate diplomático impactou diretamente os ativos brasileiros. O dólar saltou acima de R$ 5,43 no início da semana, ao mesmo tempo em que os juros futuros, principalmente os de longo prazo, apresentaram forte alta. O mercado interpretou a decisão do STF como uma possível negação da legislação americana, adicionando um novo fator de incerteza à já delicada relação bilateral.

Apesar disso, o Ibovespa conseguiu registrar alta de 0,72%, aos 137.322 pontos. No entanto, analistas apontam que o desempenho foi limitado por temores de represálias e repercussões comerciais. A diplomacia brasileira, por sua vez, buscou mitigar a crise, respondendo ponto a ponto às acusações feitas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), negando adoção de práticas discriminatórias ou barreiras comerciais injustificadas.

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Discurso de Michelle Bowman divide atenções

A vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve, Michelle Bowman, deve se pronunciar nesta terça-feira, e sua fala é aguardada com atenção. Conhecida por sua postura mais inclinada à manutenção de juros, Bowman foi uma das poucas vozes no Comitê de Política Monetária (FOMC) a defender a possibilidade de cortes recentes.

Sua manifestação ganhará ainda mais peso na ausência de indicadores macroeconômicos de destaque. Investidores examinam cada sinal vindo do Fed à procura de pistas sobre o rumo da política monetária americana. Existe uma divisão crescente entre dirigentes do banco central dos EUA quanto ao timing de eventual flexibilização dos juros.

A expectativa é de que Bowman comente sobre a evolução da inflação e do emprego nos Estados Unidos, além de avaliar os efeitos de uma política monetária prolongadamente restritiva. A interpretação dos mercados pode alterar a direção dos ativos no curto prazo, especialmente no câmbio e nas taxas de juros.

Guerra na Ucrânia e esforços de paz influenciam ativos

Movimentações diplomáticas também marcam o cenário internacional, com destaque para o encontro em Washington entre Donald Trump, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e líderes europeus. O foco do diálogo foi a possibilidade de uma negociação direta entre Zelensky e Vladimir Putin, delineando potenciais esforços para dar fim à guerra que já dura mais de dois anos.

A sinalização de um possível avanço na paz no leste europeu teve efeito imediato no mercado de commodities. O petróleo tipo Brent – referência global – recuava 1,14% pela manhã, sendo cotado a US$ 65,77 por barril. A expectativa de redução nas tensões geopolíticas e menor risco de interrupções na oferta global contribuiu para a queda.

As bolsas europeias reagiram de forma positiva. O índice Stoxx 600 registrava alta de 0,46%, puxado por ações do setor industrial e de energia. Já o CAC 40, em Paris, subia 0,77%. Nos Estados Unidos, porém, os índices futuros do S&P 500 e do Nasdaq operavam em leve queda de 0,10%.

Atuação do governo brasileiro e perspectiva de curto prazo

O discurso do vice-presidente Geraldo Alckmin na 26ª Conferência Anual do Santander também está no radar dos agentes financeiros. Como ministro da Indústria e Comércio, suas palavras são vistas como um termômetro da posição oficial do governo Lula diante do aumento da tensão diplomática com os EUA.

Alckmin tende a adotar um tom mais conciliador, exaltando esforços do Brasil para preservar relações econômicas com os principais parceiros comerciais. A resposta do Itamaraty ao USTR segue essa mesma linha, que busca demonstrar um compromisso com regras multilaterais e ambiente de negócios previsível.

Para os próximos dias, o desempenho do mercado local dependerá dos desdobramentos destes fatores políticos e diplomáticos, além de possíveis falas complementares das autoridades americanas. A ausência de indicadores econômicos fortes amplia a sensibilidade dos ativos às declarações públicas.

O dólar seguirá sob pressão caso não haja resolução rápida na disputa com os Estados Unidos. Por outro lado, avanços em uma eventual agenda de paz entre Ucrânia e Rússia podem aliviar pressões externas, em especial sobre os preços das commodities e expectativas de inflação.

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