A expectativa por sinais claros de política monetária nos Estados Unidos ganhou força após a divulgação do índice de inflação ao consumidor (CPI), que apresentou alta acima do esperado em janeiro. No Brasil, os dados do setor de serviços também passaram a influenciar decisões no mercado.
Essa combinação de indicadores acentuou a cautela de investidores tanto no ambiente externo quanto local, especialmente diante do cenário fiscal brasileiro, marcado por incertezas e pressões sobre o equilíbrio das contas públicas.
O que você vai ler neste artigo:
Inflação nos EUA pressiona política monetária
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% em janeiro, superando as expectativas de 0,2%, o que levou o acumulado de 12 meses a registrar 3,1%. O dado reforça a percepção de resistência inflacionária, mesmo com a queda frente aos níveis de 2023.
A maior surpresa foi registrada no núcleo da inflação — que exclui itens voláteis como alimentos e energia — e ainda revela uma economia aquecida. Esse cenário reduz as chances de o Federal Reserve (Fed) iniciar o ciclo de cortes de juros já em março, como era projetado anteriormente.
As novas leituras de inflação fazem com que agentes de mercado revisem apostas para a política do Fed. Agora, a expectativa majoritária aponta para o início de cortes somente a partir de junho, com uma trajetória mais lenta ao longo do ano.
Com juros mais altos por mais tempo, ativos de risco passam a perder atratividade. Isso impacta diretamente moedas de países emergentes, como o real, além de pressionar os rendimentos dos títulos públicos americanos, que voltaram a subir após o anúncio.
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Serviços no Brasil voltam a crescer em dezembro
O setor de serviços no Brasil cresceu 0,3% em dezembro, segundo dados divulgados pelo IBGE, encerrando o ano de 2023 com alta acumulada de 2,3%. O resultado veio após dois meses seguidos de retração e acima da mediana das projeções do mercado, que esperava estabilidade no mês.
Destaques positivos vieram dos segmentos de transportes e serviços profissionais, enquanto atividades de informação recuaram. Apesar do avanço, o desempenho ainda é visto com cautela dado o ritmo modesto e a dependência de fatores pontuais.
O setor é um dos pilares da economia brasileira e responde por cerca de 70% do PIB. Sua reação é fundamental para a formação de expectativas sobre crescimento e geração de empregos em 2024, além de influenciar a condução de política monetária pelo Banco Central.
Ainda que a inflação brasileira esteja sob controle e permita cortes na Selic, o ritmo do afrouxamento pode ser afetado por um crescimento mais dinâmico, o que justificaria uma pausa ou redução de magnitude nos cortes a partir do segundo semestre.
Contas públicas ampliam cautela no cenário doméstico
Enquanto as economias globais buscam calibrar os estímulos diante da inflação, no Brasil os riscos fiscais seguem como o principal fator de atenção. A meta de déficit zero para 2024 depende de receitas extras que ainda carecem de confirmação.
A equipe econômica tem enfrentado dificuldades em avançar com medidas de arrecadação, como a reoneração da folha de pagamentos e taxação de incentivos fiscais. Isso aumenta a percepção de que o governo pode não entregar os compromissos fiscais estabelecidos no novo arcabouço.
Além disso, declarações recentes de autoridades intensificaram dúvidas sobre a manutenção do compromisso com o equilíbrio das contas, o que gerou reação negativa no mercado. A curva de juros passou a precificar mais prêmio de risco, exigindo maior compensação para carregar papéis do Tesouro.
Em meio a essa conjuntura, o câmbio se mostrou particularmente sensível: o dólar voltou a subir frente ao real, refletindo tanto a atração por ativos mais seguros quanto a falta de confiança na estabilidade fiscal brasileira.
O mercado reage diariamente à interação de todos esses fatores, com volatilidade acentuada em ativos como ações, câmbio e juros. As decisões políticas e dados econômicos relevantes continuarão a guiar o sentimento dos investidores nos próximos meses, especialmente diante da expectativa por um cenário eleitoral acelerado em 2024 e das eleições nos EUA.
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