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Ata do Copom, prisão de Bolsonaro e dados dos EUA influenciam mercados

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Ata do Copom, prisão de Bolsonaro e dados dos EUA influenciam mercados — Mercado financeiro reage à ata do Copom, prisão de Bolsonaro e indicadores econômicos dos EUA. Entenda os impactos.

O mercado financeiro já iniciou a semana em clima de cautela com a expectativa em torno de três frentes: a nova ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o avanço das investigações ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a divulgação de dados econômicos decisivos vindos dos Estados Unidos.

Esse cenário combina tensão nos bastidores políticos com incertezas sobre os próximos passos das políticas monetárias, tanto no Brasil quanto no exterior. Investidores monitoram cada sinal que possa indicar mudanças nas taxas de juros ou no comportamento da inflação.

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Ata do Copom amplia leitura do mercado sobre taxa Selic

A ata da última reunião do Copom divulgada nesta terça-feira (25) reafirmou a mensagem transmitida na decisão da semana anterior: o Banco Central optou por interromper o ciclo de cortes na taxa Selic, mantendo-a em 10,5% ao ano. A justificativa é baseada no aumento das incertezas locais e externas, principalmente quanto ao cenário fiscal brasileiro.

Embora parte do mercado já esperasse essa decisão após a divisão de votos dentro do colegiado — com quatro dos nove diretores defendendo mais um corte de 0,25 ponto percentual —, a ata trouxe tom mais duro no que diz respeito à inflação. O BC destacou a deterioração das expectativas inflacionárias de médio prazo e reforçou que, para retomar os cortes, será necessário observar uma melhora clara na trajetória fiscal.

Além disso, o documento enfatizou o papel crucial de uma política fiscal mais sólida. A recente resistência do governo federal em cumprir metas ambiciosas de superávit primário pesa sobre a confiança dos agentes econômicos e aflora receios inflacionários.

O mercado respondeu com leve desvalorização do real e pressão nas taxas futuras de juros, sinalizando aumento nas dúvidas quanto ao comportamento do Comitê nas próximas reuniões.

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Evolução das investigações sobre Bolsonaro adiciona desconforto político

Outro fator que mexe com o mercado é o crescimento das investigações envolvendo Jair Bolsonaro. A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal investigam o ex-presidente em dois casos principais: a tentativa de golpe de Estado e a falsificação de certificados de vacinação contra a Covid-19. A tensão aumentou na última semana com o depoimento de vários aliados, inclusive generais do Exército.

Nesse contexto, analistas observam com preocupação a possibilidade de novas prisões no entorno do ex-presidente e os reflexos de uma eventual prisão do próprio Bolsonaro. Embora não impacte diretamente os fundamentos da economia, o cenário levanta dúvidas sobre a estabilidade institucional e pode afetar o apetite por risco.

Na segunda-feira (24), os ruídos políticos se intensificaram com a revelação de declarações de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que colaborou com a PF. Suas falas envolveram diretamente o ex-presidente nas ações, aumentando as possibilidades de responsabilização criminal.

Conforme os desdobramentos se intensificam, a aversão a risco também cresce. Investidores adotam postura mais defensiva diante da escalada das tensões entre os poderes e da possibilidade de mobilizações políticas.

Indicadores nos EUA testam resiliência dos ativos

A semana também é decisiva do ponto de vista internacional, com vários indicadores americanos programados para divulgação, especialmente os dados do PCE (Índice de Despesas com Consumo Pessoal), considerado o indicador de inflação favorito do Federal Reserve.

A leitura mais forte da inflação americana poderia alimentar apostas de que o Fed permanecerá com juros altos por mais tempo. Isso pressiona ativos de países emergentes como o Brasil, que passam a oferecer menos atratividade relativa frente aos títulos do Tesouro americano.

Outro dado esperado com atenção é a leitura final do PIB dos EUA no primeiro trimestre, além de indicadores de renda e gastos pessoais, que ajudam a medir a tração da economia do país. O presidente do Fed, Jerome Powell, ressaltou recentemente que o controle da inflação continua como prioridade, o que reforça a sensibilidade dos mercados a qualquer surpresa nos números.

Com isso, o dólar tende a ganhar força globalmente, e os juros dos Treasuries registram novas altas, o que influencia diretamente as taxas no mercado brasileiro, agravando o cenário já pressionado por incertezas internas.

Reação dos mercados e panorama adiante

Os principais índices da Bolsa brasileira (Ibovespa) vêm oscilando com menor liquidez e alta volatilidade, dada a combinação de ruídos políticos e cautela econômica. Na segunda-feira (24), o Ibovespa fechou em queda de 0,26%, aos 121.338 pontos, refletindo a pressão sobre as ações de bancos e exportadoras.

O câmbio também reagiu aos fatores combinados. O dólar comercial subiu 0,62% no mesmo dia, encerrando cotado em R$ 5,46. Em parte, o movimento reflete a saída de capital estrangeiro frente à deterioração da confiança nos cenários fiscal e político.

Entre os juros futuros, houve avanço nos contratos mais longos, com o mercado já precificando um cenário de Selic parada por mais tempo e riscos políticos prolongando a instabilidade.

Para os próximos dias, o foco continuará dividido entre Brasília e Washington. O ambiente delicado requer mais dados concretos — tanto em relação à política fiscal brasileira quanto ao comportamento da inflação americana — para que investidores encontrem maior previsibilidade nos ativos locais.

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