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Mercados seguem atentos ao Copom e Fed

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Mercados seguem atentos ao Copom e Fed — Mercados financeiros analisam dados dos EUA e expectativas sobre as decisões de Copom e Fed, focando em negociações e indicadores.

Na véspera de decisões importantes de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, os mercados globais operam em compasso de espera. Investidores buscam pistas em dados econômicos e discursos de autoridades monetárias para ajustar expectativas sobre os juros.

As atenções se voltam especialmente para os indicadores de inflação e emprego norte-americanos, enquanto no Brasil, o andamento da atividade econômica tem peso nas apostas sobre o rumo da Selic.

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Expectativa pelo Copom e pelo Fed aumenta cautela

Com reuniões simultâneas do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, os agentes financeiros adotam postura de cautela. No Brasil, após cortes consecutivos da Selic desde agosto de 2023, há incerteza sobre a continuidade do afrouxamento monetário diante das pressões inflacionárias globais e do cenário fiscal interno.

Nos EUA, embora a expectativa majoritária dos analistas seja de manutenção dos juros pelo Fed, os investidores acompanham atentamente os comentários da autoridade monetária para capturar sinais sobre os próximos movimentos. Qualquer indício de que o corte de juros será postergado pode repercutir negativamente nos ativos de risco.

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Indicadores econômicos norte-americanos reforçam tensão

Dados recentemente divulgados sobre o mercado de trabalho e inflação nos Estados Unidos têm reforçado a percepção de resiliência da economia americana. O Payroll, relatório mensal de empregos, veio acima do esperado, sinalizando que ainda há forte demanda por mão de obra, fato que pode adiar um alívio monetário por parte do Fed.

Além disso, os números do CPI (Índice de Preços ao Consumidor), mesmo mostrando arrefecimento moderado, seguem acima da meta de 2% estabelecida pelo banco central. Isso gera temor de que a inflação esteja mais persistente do que inicialmente avaliado.

Outros dados, como os relacionados aos pedidos de auxílio-desemprego e ao setor de serviços, também contribuem para o tom cauteloso nos mercados internacionais. Isso tem se refletido no movimento dos rendimentos dos treasuries — títulos do Tesouro dos EUA — e na valorização do dólar frente às moedas emergentes.

Ambiente doméstico adiciona incertezas ao Copom

No Brasil, o cenário é igualmente complexo. Ainda que a inflação tenha recuado nas últimas leituras, o ambiente internacional mais adverso, aliado a preocupações fiscais, coloca em dúvida a continuidade do ciclo de cortes da Selic. O IPCA acumulado em 12 meses, por exemplo, encontra-se acima do centro da meta, reforçando os argumentos de parte dos diretores do Banco Central que defendem mais prudência nos cortes.

Além disso, o aumento das expectativas inflacionárias captadas pelo Boletim Focus, somado a questionamentos sobre o cumprimento das metas fiscais do governo federal, interfere nas apostas sobre a decisão do Copom.

A valorização recente do dólar frente ao real, pressionando os preços de produtos importados, é outro fator que pode influenciar a decisão do comitê. Nesse contexto, os investidores consideram plausível que o BC envie uma sinalização mais neutra, deixando em aberto os próximos passos da política monetária.

Mercados operam entre oscilações e ajustes

Em meio às incertezas, os principais índices acionários operam de forma mista. Na B3, o Ibovespa apresenta leve volatilidade, com investidores aguardando definições de política monetária para tomar posições mais robustas. O volume financeiro tende a ser reduzido à espera das decisões do Copom e do Fed.

No mercado de câmbio, a moeda americana tem oscilado, refletindo tanto o movimento externo diante dos juros nos EUA quanto a percepção de risco fiscal no ambiente doméstico. O dólar comercial se manteve em torno de R$ 5,23 nas últimas sessões, com tendência de elevação caso a retórica do Fed se mostre menos complacente com a inflação.

Já no mercado de juros futuros, os contratos apresentam ajustes moderados de acordo com a curva de expectativa. Os vértices mais curtos reagem à decisão imediata do Copom, enquanto os prazos mais longos são influenciados pela perspectiva de trajetória da inflação e da política fiscal a médio prazo.

Negociações comerciais também entram no radar

Paralelamente às discussões sobre juros, os mercados também acompanham atentamente novidades no front comercial global. A recente tensão entre China e União Europeia em relação a tarifas sobre automóveis elétricos, por exemplo, gera temores sobre uma possível escalada protecionista. Caso se confirme, tal cenário poderia impactar as cadeias globais de valor e minar a confiança dos investidores.

Outro ponto de atenção é o andamento dos acordos bilaterais entre União Europeia e Mercosul, que têm enfrentado entraves políticos e ambientais. Qualquer avanço ou recuo nesse campo pode refletir na precificação dos ativos dos países envolvidos, especialmente os sul-americanos.

Desse modo, o conjunto de fatores — desde os fundamentos econômicos até a geopolítica — contribui para um momento de grande sensibilidade do mercado, exigindo atenção constante dos investidores. As próximas comunicações de Copom e Fed serão-chave para calibrar expectativas e definir novos rumos nas aplicações financeiras.

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